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Antonio Carlos Siufi Hindo: "Flagelo social"

Antonio Carlos Siufi é promotor de Justiça aposentado

Redação

05/10/2015 - 00h00
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Acuado e sem ter para onde recorrer para arrecadar ainda mais impostos para cobrir o rombo da dívida pública o governo brasileiro acena com a legalização dos cassinos em todo o território nacional para empurrar de vez o seu nacional para o inferno.

Essa conversa é difícil de acreditar. Não pode ser crível que um governo com tantas políticas públicas importantes e oportunas para serem implantadas ofereça o que de pior existe para o seu cidadão apenas com o objetivo sórdido de arrecadar mais impostos.  Já não basta as dificuldades com que todos os dias humilha os chefes de família negando-lhes emprego e salário e agora deseja ressuscitar  algo que  atazanará ainda mais, suas  vidas?  A legalização dos cassinos não vai resolver as nossas dificuldades econômicas para vislumbrarmos de novo o quadro auspicioso do desenvolvimento. Pelo contrário, trará um dano ainda maior para o conjunto da população.

A afirmação tem sentido: quando o processo inflacionário tiraniza os sentimentos mais nobres e elevados do ser humano a sua inclinação para as práticas condenáveis  resultam nas únicas alternativas oferecidas por um governante em processo de metástase. 

O jogo tem sempre ao seu lado seus inimigos inseparáveis. Sua vertente é o dinheiro sujo, nojento, sórdido e rasteiro  que não produz nem bens muito menos riquezas. Ele produz apenas a indignação, a revolta, o constrangimento e a humilhação dos que são dele partícipes. Ele compromete ainda de forma avassaladora a dignidade pessoal, arranha o caráter e leva à bancarrota a família  quando se alia, com as drogas e a prostituição. É para esse inferno que o nosso  governo quer direcionar o nosso homem de bem, o nosso chefe de família, o nosso jovem  que aguarda ansiosamente sua oportunidade de trabalho para se firmar no conjunto da sociedade como pessoa digna e comprometida com as coisas boas que devem tornar sempre elegantes o nosso proceder social. 

A elegância dos procedimentos cotidianos  é que precisam sempre animar as pessoas.  Esses são os pensamentos dominantes no conjunto da nossa sociedade e que aguarda  dos nossos governantes  apenas a sensibilidade para melhor interpretá-los. A sordidez do jogo não é a melhor direção porque o seu limite se confunde com a insensatez. A sua agravante  resulta evidenciada  quando o próprio governo  não impõe nenhum dos mecanismos de controle social que possui, ou ainda  quando o direito  passa a legitimá-lo com o beneplácito da moral  que  resulta ignorada  na sociedade moderna. 

Essa praga  não a queremos rondando a imensidão dos nossos lares. O Estado não pode ser esse algoz capaz de incentivar a esperteza, despertar as trapaças e concorrer para as ilusões mórbidas.  

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