Há diálogos rastreados que não dizem respeito ao que está sendo investigado na Coffee Break, mas podem abrir margem para outras apurações.
Esta semana, a equipe do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE) vai receber 400 mil páginas com material das gravações telefônicas obtidas dos aparelhos dos investigados da Operação Coffee Break.
A análise desse rastreamento pode abrir nova fase na investigação, em que se apura o esquema de compra de votos na Câmara de Vereadores para derrubar o prefeito da Capital, Alcides Bernal.
Desde que foi deflagrada, a Operação Coffee Break tem revelado bastidores do que seria o esquema articulado para cassar Bernal do cargo. Reuniões nas casas dos parlamentares, encontros em uma chácara, regados a churrasco em que o foco era o futuro da gestão de Campo Grande. Até agora, os vereadores chamados a prestar depoimentos não admitiram qualquer envolvimento, porém, com base nesses relatos feitos ao MPE, segundo o promotor responsável pelo caso, foram encontradas contradições que evidenciariam a existência de articulações na votação.
O Gaeco ainda conta com rico material recuperado com trabalho da perícia, por meio de sofisticado aparelho usado nos celulares dos investigados. Mensagens apagadas foram restauradas e serão analisadas pelo grupo. Há diálogos rastreados que não dizem respeito ao que está sendo investigado na Coffee Break, mas podem abrir margem para outras apurações.
Para o atual quadro legislativo da Câmara, os efeitos já são devastadores. Pesquisa recentemente publicada pelo Correio do Estado mostra que 76% dos entrevistados na Capital não aprovam a atuação dos parlamentares; também foi de 76% o índice de pessoas que disseram não confiar na composição em atividade na Casa de Leis. Todos, mesmo os que não foram citados na operação, foram colocados no mesmo “balaio de gatos”.
Os que estão fora - maioria, da bancada petista - foram atingidos na outra parcela do escândalo de corrupção, a Operação Lava Jato, que envolveu a cúpula do partido e respinga em seus filiados. Antes mesmo da apuração da compra de votos, a credibilidade de outros dois parlamentares já havia sido abalada, com a suspeita de exploração sexual de adolescentes.
Este ano, a Câmara de Vereadores foi prato cheio de escândalos. Os efeitos ficarão claros nas eleições de 2016. No caso do PT, a situação é ainda pior pois, mesmo na eventual mudança de partido, o rastro deixado desde que as investigações foram deflagradas ainda vai existir. A população está desacreditada e ainda tenta se recuperar das escolhas mal feitas no último pleito, tanto no Executivo, quanto no Legislativo. Que os episódios tristes que estávamos presenciando sirvam de lição de como é preciso ter cautela na escolha dos representantes.
Os eleitores tem que olhar além das relações pessoais - do amigo que está se candidatando - ou das de interesse - aquele que promete cargo ou alguma outra benesse. É preciso seriedade dos dois lados - eleitor e candidato - o que, está evidenciado, não foi a principal característica das eleições em 2012.