Delcídio, claro, como qualquer acusado, continua negando envolvimento no esquema apelidado de Petrolão, mas agora as denúncias começam a ficar mais detalhadas.
O depoimento do lobista Fernando Soares, também conhecido pelo apelido de Fernando Baiano na Operação Lava Jato, é esclarecedor no contexto da investigação, uma das maiores cruzadas brasileiras no combate à corrupção sistêmica no poder público. Os pagamentos de propina delatados por Baiano, contudo, são reveladores para a maioria, mas não são a “última novidade”, porque o teor do depoimento já era esperado por muitos, sobretudo por aqueles que conhecem os supostos recebedores das vantagens, como por exemplo, o senador sul-mato-grossense do PT, Delcídio do Amaral.
Delcídio, claro, como qualquer acusado, continua negando envolvimento no esquema apelidado de Petrolão, mas agora as denúncias começam a ficar mais detalhadas. Conforme reportagem veiculada no Jornal Nacional, da Rede Globo, na noite da última sexta-feira, o senador petista de MS teria ficado com US$ 1,5 milhão de propina, produto da compra supostamente fraudulenta (sob investigação) da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A aquisição da refinaria norte-americana, conforme o Tribunal de Contas da União, causou prejuízos de mais de US$ 790 milhões aos cofres da estatal.
Anteriormente, o nome de Delcídio do Amaral já havia sido mencionado no contexto da operação da Polícia Federal, por Paulo Roberto Costa, um dos ex-diretores da Petrobras envolvidos no esquema de corrupção nos negócios da empresa de petróleo.
Desta vez, Baiano diz que a propina paga ao senador teria sido usada na campanha ao governo do Estado de 2006, disputa que Delcídio foi derrotado por André Puccinelli (PMDB). Para a Rede Globo, na sexta-feira, o petista classificou como “absurdas” as alegações de Baiano.
Delcídio do Amaral afirmou ao Jornal Nacional que conheceu Baiano na década de 1990, e que depois não teve mais contato com o lobista. Quanto a esta declaração, vamos esperar o resultado das investigações da Lava Jato.
O que é possível perceber é que o surgimento do envolvimento de Delcídio com o esquema da Lava Jato era questão de tempo, pois a maioria dos investigados na operação eram conhecidos do senador líder do governo Dilma Roussff. Alguns dos suspeitos são considerados amigos pessoais dele.
No caso de Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras, o que se tem apurado até agora é que ele chegou a Petrobras justamente por indicação de Delcídio do Amaral. O senador, depois da operação, tem evitado comentar a relação dele com Cerveró.
A Operação Lava Jato também mostra certa incoerência na carreira política de Delcídio do Amaral. A mesma pessoa que no início de sua carreira política, em 2002, se gabava de seu bom relacionamento com os diretores da Petrobras, e usava esta proximidade como trunfo eleitoral, deixou de lado, ou tem até negado conhecer, muitos dos diretores agora envolvidos no esquema de corrupção.