Quem mais ganha com os recentes acontecimentos da economia mundial certamente não é o Brasil
O ano de 2015 tem sido terrível para a economia brasileira. Isto é fato notório.
Em meio à turbulência política em Brasília e aos gastos descontrolados do governo federal, que não consegue equilibrar suas receitas, o que passa despercebido perante nossas autoridades são os momentos de apreensão global por causa da desaceleração do crescimento da China, país que vinha puxando a economia de vários outros do planeta, sobretudo os emergentes.
O efeito da desvalorização da moeda do país asiático pode ser devastador para a economia brasileira e de outros países da América do Sul, África e Ásia. O crescimento menor na China já tem influenciado na queda do preço de algumas commodities da qual o Brasil se destaca como exportador, como por exemplo, grãos como soja e milho, além de minério de ferro e petróleo. Para aumentar o pessimismo em relação à economia brasileira, vale lembrar que países do Leste Europeu e os Estados Unidos, outros grandes produtores de grãos, registraram superprodução nesta safra, pressionando os preços (em dólar) para baixo.
Quem mais ganha com os recentes acontecimentos da economia mundial certamente não é o Brasil. No momento em que os produtos industrializados ganham importância na geração de receita com exportações, o País vive fenômeno de desindustrialização, iniciado na década passada, depois da supervalorização das matérias-primas no mercado mundial.
Não fizemos o dever de casa incentivando a transformação dos produtos agrícolas, minerais e petroquímicos em nosso território. Nos últimos 10 anos, o que fizemos basicamente foi exportar matéria-prima para a China - a bom preço, diga-se de passagem - e recomprá-la transformada também a preço atraente para o comerciante, porém, nocivo para a indústria brasileira.
Agora, mesmo com cenário de dólar em alta que, em tese, favorece as exportações, temos problemas para gerar receitas na moeda norte-americana com o comércio exterior. Quando a oportunidade (em meio à crise atual) surgiu, a indústria brasileira não estava preparada.
Voltando à economia chinesa, o perigo de deflação global que a desaceleração da economia da China causa pode gerar efeito inclusive em Mato Grosso do Sul. A demanda por grãos, celulose e couro bovino produzidos aqui continua alta no país asiático, porém, com o preço menor dessas commodities no mercado internacional, a geração de receita em dólar com esses produtos deve ser menor.
Os políticos brasileiros, que têm se preocupado muito mais com pagamentos e recebimentos de propina, e em salvar a própria pele das investigações, deveriam também ficar atentos ao cenário global. No momento, o Brasil encontra-se em situação vulnerável não só internamente, com as dificuldades para fechar as contas federais e inflação que só aumenta, mas também externa, pois o fluxo de capitais para o País, sobretudo com o “pouso forçado” da China, é cada vez menor.