Lá se vão mais de dois meses dos primeiros mandados de busca e apreensão, e ainda não há resultado concreto da investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual
Desencadeada em 25 de agosto deste ano, a Operação Coffee Break, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), precisa ser mais objetiva. Lá se vão mais de dois meses dos primeiros mandados de busca e apreensão, e ainda não há resultado concreto da investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual.
A Coffee Break é o desdobramento de outra ação policial, a Lama Asfáltica, da Polícia Federal. Foi por meio da investigação da PF que o trabalho do Ministério Público teve início. Escutas telefônicas flagraram o empresário João Amorim, dono da empreiteira Proteco, e vereadores de Campo Grande, como o presidente afastado da Câmara, Mario Cesar, em diálogos cujo contexto era suposta trama para cassar o prefeito Alcides Bernal, em março do ano passado.
De posse dos documentos repassados pela Polícia Federal, os promotores do Gaeco encontraram ainda mais indícios de esquema de compra de votos de vereadores, para cassar Bernal e levar o vice, Gilmar Olarte, ao poder. Estas evidências levaram o Gaeco, em 25 de agosto deste ano, a apreender telefones celulares de vereadores que supostamente teriam participado da trama. Os promotores de Justiça ainda conseguiram que o desembargador Luiz Cláudio Bonassini da Silva atendesse aos pedidos de afastamento de Gilmar Olarte, do cargo de prefeito de Campo Grande, e de Mario Cesar, da presidência da Câmara de Vereadores.
Desde que a Operação Coffee Break tornou-se de conhecimento público, as investigações, aparentemente, passaram a caminhar a passos lentos. O que houve até agora foi a ida de dezenas de políticos ao Gaeco, para depor, e a prisão temporária de Gilmar Olarte e de João Amorim.
O fato mais recente envolvendo a Coffee Break é a denúncia do vereador Jamal Salém (PR), de que Alcides Bernal também teria comprado votos para evitar sua cassação. Acusação que não foi levada adiante, pela falta de provas. Se Bernal de fato comprou a proteção de seu mandato, ele foi malsucedido, porque foi cassado em 13 de março do ano passado.
Diante de todos os desdobramentos que a operação do Ministério Público Estadual teve até agora, o que se espera é mais pragmatismo dos procuradores e promotores de Justiça. Depois de afastamentos e prisões, busca e apreensões, o que a sociedade quer é ver os responsáveis por esta trama, no mínimo, denunciados e processados judicialmente. O desfecho da investigação, contudo, está demorando.
A mesma cobrança por mais resultados concretos vale para a Polícia Federal e a Operação Lama Asfáltica. Já se passaram mais de três meses do desencadeamento da ação que apura desvio de verba pública e corrupção em obras de pavimentação de avenidas, em Campo Grande, e em rodovias, em Mato Grosso do Sul, e ainda não há desfecho, nem sequer uma segunda fase – investigação federal.