Se a indústria enfraquece, ela pode também, por consequência, gerar sérios danos aos outros setores da economia
Sondagem Industrial publicada ontem, pelo Correio do Estado, demonstra o que empresários, trabalhadores e alguns gestores públicos têm notado há alguns meses: a ociosidade da indústria de Mato Grosso do Sul é grande e preocupa. A pesquisa aponta que mais da metade do setor (55% do parque industrial) produz abaixo da capacidade. Há um volume considerável de máquinas paradas e vagas de trabalho fechadas em razão da retração no mercado consumidor.
Essa constatação tem muitos significados, e o primeiro deles é de que ela reflete o desemprego no setor de transformação. Princípio básico do capitalismo: com pouca demanda, como no cenário econômico atual, a tendência é de que a oferta seja baixa também e, para uma oferta baixa, não é necessário força de trabalho numerosa.
A alta ociosidade da indústria sul-mato-grossense também preocupa em razão do duro golpe que o setor de transformação sofre. Um trabalho de empresários e autoridades de, pelo menos, 30 anos, dos anos 1980 até a década passada, para diversificar a matriz econômica do Estado, poderá ser jogado fora pela crise econômica. O Estado de Mato Grosso do Sul não pode e não deve voltar a ser dependente exclusivo do extrativismo e do cultivo de matéria-prima, como foi no passado.
Para ser cada vez mais forte, MS precisa de dinamismo em todos os setores, no primário (agronegócio e extrativismo), secundário (indústria de transformação) e terciário (prestação de serviços). Se a indústria enfraquece, ela pode também, por consequência, gerar sérios danos as outras duas pontas da cadeia.
O grande problema é que não há quase nenhuma perspectiva de recuperação da economia brasileira no médio prazo. Até mesmo as projeções para 2016 são de encolhimento do Produto Interno Bruto.
O pessimismo tomou conta dos empresários, fator que também é constatado pela Sondagem Industrial. A maioria dos donos de estabelecimentos de transformação (41,7%) acredita que a demanda cairá, aumentando mais a ociosidade. Só 16,7% esperam elevação do consumo.
A única maneira de aumentar a demanda por produtos industrializados é reaquecer a economia por meio de novos investimentos. O problema é que o custo do dinheiro (juros) está alto, e a falta de credibilidade do governo federal, que deve dar segurança jurídica e administrativa para os empresários, só piora o cenário. A pesquisa mostra isso. Para 68,9% dos empresários, a contratação de crédito está difícil (45,9%) ou muito difícil (23%).