Já passa da hora de a presidente Dilma Rousseff e de o governador Reinaldo Azambuja demonstrarem objetivamente a preocupação deles com a segurança na fronteira
Apreensões desta semana em rodovias de São Paulo e Mato Grosso do Sul comprovam que a fronteira da Bolívia e Paraguai com o Brasil está aberta e que o controle do que entra e do que sai do País, feito por policiais federais e servidores da Receita Federal é deficiente. Também praticamente não existe trabalho da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) no sentido de combater, dentro de seus domínios e de sua competência constitucional, crimes próprios da região de fronteira, como narcotráfico e contrabando.
No início desta semana, um caminhão-tanque com placas de São Bernardo do Campo (SP) foi interceptado em Corumbá por fiscais da Receita. O veículo, porém, não levava combustível, e sim aproximadamente três toneladas de roupas contrabandeadas da Bolívia.
Na noite da última segunda-feira, outro caminhão-tanque que passou por Mato Grosso do Sul foi flagrado no interior do Estado de São Paulo com três toneladas de maconha. Na ocasião, um morador da cidade de Nova Andradina admitiu que receberia R$ 5 mil para desempenhar o trabalho de batedor da carga de droga.
Basta observar o movimento de caminhões-tanque no trecho da BR-262 entre Corumbá e Campo Grande para notar o grande fluxo de veículos carregados no sentido fronteira-capital do Estado. Em tempos de dólar alto e de redução na importação de combustíveis da Bolívia, era de se esperar que o fluxo fosse inverso: o combustível produzido nas refinarias de São Paulo ser levado por caminhões para a região de Corumbá.
Estes dois exemplos citados acima, portanto, são pequenas amostras do volume de droga e produtos contrabandeados que estão entrando no Brasil, via Mato Grosso do Sul. Nossas fronteiras, infelizmente, estão abertas. Guardar as fronteiras é dever da União, porém, nas cidades sul-mato-grossenses também há consumo de drogas e contrabando, crimes que a administração estadual deveria preocupar-se mais.
No início de seu mandato, o governador Reinaldo Azambuja prometeu comprar aparelhos de raio-x (scanners) que identificam drogas em carros e caminhões. Cada equipamento custa em torno de R$ 2 milhões. O governo, contudo, preferiu, por exemplo, gastar em torno de R$ 35 milhões só com publicidade.
A segurança pública da administração Reinaldo Azambuja, diga-se de passagem, é pouco divulgada. O secretário, Silvio César Maluf, prefere se fechar no gabinete e mostrar muito pouco a que veio.
Enquanto a discrição impera na Secretaria de Justiça e Segurança Pública, o tráfico de drogas e o contrabando tomam conta das rotas sul-mato-grossenses.
Já passa da hora de a presidente Dilma Rousseff e de o governador Reinaldo Azambuja demonstrarem, por meio de ações objetivas, a preocupação deles com a segurança na região de fronteira, se é que ela existe.