Uma crise após a outra. Assim o governo federal vai afundando, nos últimos anos, os pilares econômicos e sociais do Brasil. Em vários segmentos, o caos predomina. No setor da saúde pública, não é diferente.
Não vou aqui defender a volta da CPMF, mais um imposto que tira mais do pouco ainda que o povo tem e não vai resolver a questão da má gestão. Não vou culpar a corrupção – que assola de A a Z as esferas públicas administrativas. Não vou afirmar: a culpa é da população que vai ao médico.
A culpa não é financeira, é de gestão. A crise que assola a saúde pública no País está relacionada com a forma que se prioriza a aplicação do dinheiro público. Não posso deixar de citar a Caravana da Saúde, proposta inovadora adotada pelo atual gestor estadual de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, que concentra os atendimentos de várias especialidades e com estrutura moderna em um único local, de forma a possibilitar alto grau de resolutividade. Mas esse formato é uma exceção no País.
O grande problema é a forma de gastar esse dinheiro que pertence à população e que tem levado os médicos a situações de extremo estresse.
Esses profissionais precisam de condições dignas e instrumentos de trabalho. Requisitos básicos que os médicos querem para exercer sua atividade profissional nos consultórios, nos hospitais e nos postos de saúde.
O problema é que a situação de abandono se agrava a cada ano. Nas unidades de saúde, médicos trabalham sem as mínimas condições, faltam iluminação, mantas para aquecer o corpo, desfibrilador e outros equipamentos, cruciais para definir quem vive e quem morre.
É triste. Mas ocorre em nosso País! A comprovação vem no dia a dia.
No Tocantins, na cidade de Dianópolis, profissionais usaram pote plástico em substituição a um capacete de oxigênio neonatal para salvar a vida de um bebê. Improvisaram em um ato de amor à vida.
Já em Macapá, no Amapá, os médicos usam em cirurgias a luz de celulares e lanternas. Na mesma cidade, em uma UTI, a bateria dos respiradores antigos não funciona e bebês que respiram com ajuda de aparelhos são ventilados com ambú, que é uma espécie de balão, o qual é manual.
Dá para pensar que são problemas de regiões do País com deficiência na infraestrutura. Mas olha o que ocorreu em Araçatuba, uma das cidades mais ricas do Brasil. Médicos tiveram de usar a luz de telefones celulares para iluminar uma cirurgia de laqueadura.
Também há o caso do médico, em Brasília, que começou a gritar e entrou em surto nervoso, ao ver chegar mais um paciente em estado grave no Hospital. Aos gritos, disse ao bombeiro que trouxe a vítima: “Cara, eu tô trabalhando, eu tô estressado aqui. Tá faltando tudo. Eu quero sumir daqui”, grita o médico.
Este é o estresse do médico, que tem como única opção recorrer ao jeitinho brasileiro e driblar, com criatividade, a falta de equipamentos para garantir um bom atendimento aos pacientes.
Mesmo com toda a dedicação, esses problemas refletem no conceito do brasileiro em relação à saúde.
Pesquisa do Instituto Datafolha a pedido do Conselho Federal de Medicina, divulgada no mês passado, aponta que 93% dos brasileiros consideram os serviços de saúde no Brasil péssimos, ruins ou regulares.
Agora, prestem atenção: por outro lado, 55% dos pesquisados consideraram as cirurgias boas, ótimas ou excelentes. São procedimentos que dependem exclusivamente dos médicos. Heróis que garantem a vida em situações adversas, como as que eu relatei aqui.
Esse número reflete o reconhecimento do profissional, seu esforço e capacidade técnica em atender bem o paciente.
Parabéns aos médicos pela dedicação, capacidade e determinação.