Quem mora na Cidade Morena e preza por ela se entristece de ver o que as más escolhas nas eleições podem fazer - neste caso, negativamente - pela cidade.
Andar pelas ruas de Campo Grande torna-se, cada vez mais, um desafio e triste espetáculo: não é de hoje que se vê a deterioração, cada vez maior, dos espaços públicos e das ruas. Desde agosto, serviços básicos deixaram de ser feitos após suspensão de contratos com a empresa, medida tomada pelo prefeito Alcides Bernal. Quem mora na Cidade Morena e preza por ela se entristece de ver o que as más escolhas nas eleições podem fazer - neste caso, negativamente - pela cidade. É preciso choque de gestão urgente, a conscientização de Bernal e dos vereadores de que é preciso colocar os interesses da população acima das desavenças.
Exemplo de como a aplicação do recurso público é duvidosa em Campo Grande está nos serviços de iluminação pública e melhorias no trânsito. Por mês, segundo dados levantados com exclusividade pelo Correio do Estado, são arrecadados R$ 3 milhões com o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip), a taxa da luz, popularmente conhecida. É verba carimbada, ou seja, que deveria ser usada exclusivamente para a reposição de lâmpadas, manutenção e expansão da rede. Porém, aparentemente, não é isso que tem acontecido. À noite, em uma volta nos bairros da cidade, é possível ver vários postes às escuras. O questionamento feito é que, antes de Bernal assumir, relatório da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Controle (Seplanfic) demonstra que havia R$ 16 milhões em caixa da Cosip. Se aplicado na destinação final, há muito ainda que ser feito. No outro caso, a prefeitura recebe, por mês, cerca de R$ 1,5 milhão em recursos arrecadados por meio de multas de trânsito. O valor, obrigatoriamente, deve ser destinado à sinalização, semaforização, compra de equipamentos e tintas e campanha de conscientização.
O que a população presencia, dia a dia, é a deterioração do bem público. Ruas sem iluminação são prato cheio para ação de marginais, outro problema enfrentado na Capital: a crescente falta de segurança e aumento dos índices de criminalidade. Para os condutores, a dificuldade em se locomover por vias sem sinalização é desafio diário, que ainda tem como fator adicional as centenas de buracos espalhados no asfalto.
Agora, Bernal anunciou a retomada dos contratos com as empresas responsáveis pelo serviço de tapa-buraco, com exceção da LD e Proteco, investigadas pela Polícia Federal na Operação Lama Asfáltica. Foram necessários dois meses de absoluto abandono e reclamação generalizada para que a medida fosse tomada. Da Câmara de Vereadores, de onde deveria sair posicionamento mais contundente para cobrar ações de melhorias, o que se ouve na troca de gestão, até agora, é bate-boca interno, mais relacionado às picuinhas políticas do que aos interesses da população. Já passou da hora de o Executivo e o Legislativo em Campo Grande tentarem fazer algo pela cidade, além de segurar-se nas respectivas cadeiras. Pelo menos para evitar desastres irreparáveis para a cidade. Quem sabe, no fim de ano, o campo-grandense pode ter um vislumbre do que era a cidade antes da derrocada que se seguiu às últimas eleições.