Não se sabe quais serão os próximos capítulos dessa guerra. Há, infelizmente, a certeza de que vidas inocentes acabarão perdidas.
Impossível não se entristecer com a tragédia que deixou ao menos 128 mortos na noite de sexta-feira em Paris. Ontem, o Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelos ataques coordenados de homens com armas de fogo e bombas, que tiraram vidas de inocentes que estavam em bares, cafés, boate e do lado de fora do estádio nacional Stade de France. As declarações nos mostram, porém, que a guerra está longe de acabar. Em comunicado, o grupo radical declarou que “esse ataque é só o começo da tempestade”. Segundo os extremistas, os atos terroristas foram em resposta a insultos ao profeta Maomé e aos bombardeios franceses contra alvos do grupo. A França é integrante fundadora da coalizão liderada pelos Estados Unidos que realiza ataques aéreos contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque
O presidente da França, François Hollande, prometeu “resposta implacável” aos terroristas e deve redobrar ainda mais os alertas para os franceses não tenham de vivenciar novo episódio de horror.
A sensação de insegurança é inevitável, principalmente ao sabermos que o Estado Islâmico tem conseguido recrutar jovens em diversas partes do mundo. Hoje, o alerta é ainda maior em decorrência dos terroristas que agem infiltrados na sociedade. Ontem mesmo, um francês foi identificado como autor dos ataques, pois já estava fichado na polícia por seus vínculos jihadistas. No começo deste ano, reportagens mostraram que os setores de inteligência do governo brasileiro detectaram tentativas de atrair jovens aqui mesmo em nosso país. A preocupação cresce em diversas partes do mundo e, por isso, a França já tem recebido apoio de outros países para ações no combate ao terrorismo. Não se sabe quais serão os próximos capítulos dessa guerra. Há, infelizmente, a certeza de que vidas inocentes acabarão perdidas.
Outra preocupação é que os ataques, certamente, farão crescer o preconceito à comunidade islâmica em geral. O primeiro passo na França deve ser fechar as fronteiras, impedindo a entrada de imigrantes muçulmanos. Entretanto, infelizmente, as reações negativas devem se perpetuar em diversas partes do mundo contra pessoas que não têm qualquer relação com as ações extremistas. Não é possível dimensionar o tamanho desse impacto.
É lamentável que Paris tenha de vivenciar novo capítulo sangrento. Autoridades já estavam em alerta desde as mortes durante ataque ao escritório do jornal satírico “Charlie Hebdo”, em janeiro deste ano. A nós, fica a sensação de completo desprezo ao ser humano, à vida. O papa Francisco declarou que essas coisas são muito difíceis de entender. De fato, as tragédias são incompreensíveis e temos de nos indignar, da mesma forma, com as diversas mortes que ocorrem em vários outros países, quase que diariamente em razão de guerras, seja na Síria, na Palestina ou no Líbano.
O ataque de ontem é considerado o maior da história francesa, desde a Segunda Guerra Mundial. Nos mostra como, depois de tanto tempo, o ser humano ainda não evoluiu suficientemente para valorizar a vida, pois nenhuma causa religiosa ou financeira deveria se sobrepor a esse bem mais precioso.