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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta sexta-feira: "Criminalidade sem barreiras"

Editorial desta sexta-feira: "Criminalidade sem barreiras"

Redação

04/12/2015 - 00h00
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Promessas demoram a sair do papel. Quando ficamos esperançosos com alguma alternativa que finalmente será concretizada, os investimentos acabam subutilizados. 

Duas novas operações policiais voltam a demonstrar a fragilidade de nossas fronteiras. Reiteradas vezes já usamos esse espaço para mostrar como o Brasil continua de “portas abertas” para a entrada de diversos produtos ilícitos, em razão do descaso com a fiscalização. Criminosos não encontram barreiras e Mato Grosso do Sul continua sendo rota para tráfico de armas, drogas e produtos contrabandeados que abastecem diversos outros estados do País. Há resistência em atacar o problema em sua origem e perde-se tempo ao tentar remediar aquilo que poderia ter sido prevenido.  

A situação torna-se ainda mais grave quando aqueles que teriam o dever de coibir as irregularidades acabam atuando nos crimes. Em Corumbá, agente da Receita Federal era apontado por envolvimento no esquema de contrabando e descaminho de várias mercadorias. Em outra ação, centralizada nas cidades de Campo Grande e São Gabriel do Oeste, policiais militares comandavam quadrilha que traficava armas e munições pelo Paraguai. Não bastasse a falta de recursos para barrar criminosos, há, infelizmente, aqueles que não honram a profissão que exercem e acabam fazendo justamente o oposto da atividade para qual foram designados: cometem os crimes ao invés de agir para combatê-los. 

A Receita Federal, teoricamente, deveria ter conhecimento das mercadorias que entram no nosso País, mas não é o que acontece quando nos referimos às regiões fronteiriças com Paraguai e Bolívia. Há ainda os criminosos que seguem por rotas alternativas, utilizando até mesmo rios, a exemplo do Taquari, para transportar cocaína. Se a vigilância policial não dá conta nem das estradas, impensável imaginar que haverá efetivo e estrutura para o monitoramento fluvial. 

Promessas demoram a sair do papel. Quando ficamos esperançosos com alguma alternativa que finalmente será concretizada, os investimentos acabam subutilizados. Foi o que aconteceu com os scanners (equipamentos de raio-x) que poderiam ser usados para flagrar drogas e armas que acabam camufladas na carga de veículos. Com frequência, os traficantes escondem maconha ou cocaína em meio a grãos de milho, madeira e, mais recentemente, até caminhões-tanque de combustíveis. Estes últimos são mais difíceis de monitorar e causa, no mínimo, estranheza a quantidade de carretas do tipo que cruzam a fronteira, vindos da Bolívia todos os dias. Agora, a promessa é instalar câmeras em nove cidades fronteiriças. 

O Governo Azambuja agarra-se à desculpa de que não tem recursos para investir mais, alegando que já paga caro por uma conta que não é somente sua. Põe a culpa na União, que age com total descaso. Em meio a essa briga interminável, permanecem todos os brasileiros que sofrem com a violência crescente. Lamentamos o abandono da segurança, com a justificativa de falta de dinheiro, enquanto o Governo do Estado consegue facilmente conceder R$ 1 bilhão de renúncia fiscal ao Grupo JBS. Deixamos de arrecadar recursos que poderiam ser utilizados nessa área cheia de prioridades. Total contrassenso!  

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