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CAMPO GRANDE

Editorial desta terça-feira: "Mania de perseguição"

Editorial desta terça-feira: "Mania de perseguição"

Redação

08/12/2015 - 00h00
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Bernal está obsecado com a ideia de perseguição e essa parece ter se tornado a “desculpa padrão” para todas as dificuldades enfrentadas  

Tornaram-se corriqueiras as declarações do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, sobre novas ameaças. A mania de perseguição engloba fatos até mesmo inusitados, como a afirmação de que pessoas estariam fazendo buracos nas ruas da cidade para prejudicar sua administração. Também repetiu diversas vezes sobre “novo golpe político” que estaria sendo articulado pelos vereadores da Capital para cassar seu mandato, em razão da eleição de João Rocha (PSDB) para a presidência da Câmara. Ontem, a alegação foi que estava sendo ameaçado pelo empreiteiro João Amorim, dono da Proteco - investigado na Operação Lama Asfáltica. 

O encontro teria ocorrido na Rua dos Vendas, quando Amorim “elogiou” o trabalho de tapa-buraco, que era monitorado por Bernal. Em seguida o empreiteiro disparou: “Isso vai acabar muito mal” e Bernal questionou se estava sendo ameaçado. O breve diálogo foi relatado por Bernal durante agenda na manhã de ontem que, inclusive, enviou à imprensa fotos feitas por seus assessores. Obviamente, o prefeito precisa tomar providências sempre que for alvo de alguma ameaça, mas para isso deve acionar a polícia. No entanto, hoje parece haver mais preocupação com as supostas perseguições e em torná-las públicas do que cuidar das verdadeiras necessidades da cidade. 

Essa prática já era recorrente durante os primeiros meses da gestão de Bernal. Faltava merenda: intriga da oposição; verba insuficiente: culpa dos vereadores; licitações atrasadas: problema da antiga gestão; obras paralisadas: perseguição da imprensa... e por aí vai. Até hoje sempre que algum problema é relatado, Bernal tem a resposta na ponta da língua para colocar a culpa nos outros e reiterar a posição de vítima. Exemplifica-se esse absurdo sobre a recente afirmação de que pessoas estavam fazendo buracos nas ruas para prejudicá-lo, o que demonstra a falta de limites em relação às supostas perseguições. 

Semana passada, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) chegou a recomendar que Bernal parasse com a história de golpe e focasse no trabalho por Campo Grande, ao responder questionamento em referência à eleição do também tucano João Rocha para a presidência. Os campo-grandenses já vivenciam momento de instabilidade política, depois do troca-troca de prefeitos e também pelo fato de Bernal estar no cargo por força de liminar. Não há motivos, portanto, para criar factoides com intuito de aumentar ainda mais essa insegurança. 

Diante das repetidas afirmações de que praticamente tudo parece ser golpe, qualquer declaração de nova ameaça acaba parecendo mais do mesmo e o descrédito torna-se inevitável. Bernal está obsecado com a ideia de perseguição e essa parece ter se tornado a “desculpa padrão” para todas as dificuldades enfrentadas.  Já passou da hora de abandonar os discursos repetidos e cansativos para agir e mostrar a verdadeira administração eficiente prometida aos campo-grandenses.        

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