Como é impossível dissociar a crise política da econômica, nota-se que está ainda mais complicado tentar recuperar a confiança no governo brasileiro
Você confia na atual política econômica brasileira? Confia que nossos políticos terão condições de reverter o cenário de dificuldades financeiras? Certamente, os brasileiros ficariam, ao menos, com dúvidas ao serem confrontados com tais questionamentos. Assim, é possível dimensionar qual o impacto do desastre conjunto dos equívocos que resultaram na crise econômica e dos crescentes escândalos de corrupção na política. Ambos são indissociáveis e influenciam na impressão que os investidores estrangeiros têm do Brasil. A imagem desgastada diariamente para quem vive aqui também repercute em diversos outros países e, por isso, as chances de o País voltar a crescer parecem ainda mais escassas.
Ontem, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do Brasil e tirou o grau de investimento do País. As constantes mudanças na meta de superavit primário estão entre os fatores que influenciaram na perda de credibilidade. Novo rebaixamento pode fazer o País perder milhões. Investidores de peso exigem que seus administradores só apliquem os recursos em países e ações de empresas que recebam o selo de bom pagador. Com isso, a fuga de capitais estrangeiros será inevitável.
Ainda no fim do ano passado, falava-se que a crise brasileira era uma crise de confiança e a presidente Dilma Rousseff tentava, a todo custo, culpar fatores externos. Hoje, está mais do que comprovado que nossos entraves se devem a problemas bem brasileiros, a começar pelo equívoco da política econômica de estímulo exagerado ao consumo. Hoje, o cenário é totalmente inverso: as famílias estão endividadas e não dão conta de arcar com o peso da inflação alta, o aumento exorbitante do custo de vida e o índice crescente de desemprego.
Como é impossível dissociar a crise política da econômica, nota-se que está ainda mais complicado tentar recuperar a confiança no governo brasileiro. A Operação Lava Jato avança e chega cada vez mais perto do Planalto. Anteontem, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa dos ministros Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Henrique Eduardo Alves (Turismo). Há ainda a “bomba” que atingiu o deputado federal Eduardo Cunha, presidente da Câmara, alvo da operação e de processo de cassação por quebra de decoro parlamentar.
Não bastassem tantas turbulências políticas, no fim do dia, o Senado aprovou projeto de lei que prevê repatriação de dinheiro mantido por brasileiros no exterior, que não havia sido declarado à Receita Federal. Pasmem, mas essa manobra para tentar “legalizar” dinheiro sujo é uma das alternativas do governo Dilma Rousseff para salvar as finanças públicas. A proposta foi apresentada pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS), então líder do governo no Senado, que está preso e é acusado de receber propina.
Nota-se, portanto, que um dos caminhos escolhidos pelo governo para tentar melhorar as finanças poderá abalar ainda mais a confiança e credibilidade. Pelo ritmo das denúncias de corrupção, das brigas políticas e das soluções escusas para salvar as contas, percebe-se que o governo Dilma permanece sem rumo para encontrar a luz no fim do túnel que ele mesmo apagou.