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Editorial deste domingo: "Reprise de dificuldades"

Editorial deste domingo: "Reprise de dificuldades"

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As cobranças não podem cessar. Problemas não podem ser repetidos anos depois somente porque governantes encontraram outras prioridades.

A ineficiência do poder público fica comprovada sempre que assistimos à repetição de problemas que poderiam ser evitados. A “reprise” mais recente ocorreu na cidade de Bonito, onde uma pizzaria foi consumida por incêndio na noite de sexta-feira. Moradores improvisaram soluções para tentar conter as chamas e evitar que outros estabelecimentos comerciais fossem atingidos. Isso porque a cidade conta apenas com bombeiros que atendem no aeroporto, os quais são impedidos de atuar em outras ocorrências. Então, sempre que algum local é atingido por fogo no município, é preciso aguardar a chegada dos bombeiros do quartel de Jardim, que fica a 60 quilômetros de distância. Espera intolerável em situações como essa. 

Em 2010, nesta mesma cidade, moradores tiveram que assistir, incrédulos, à destruição de um supermercado durante incêndio. Apelos foram feitos, mas providências não foram adotadas. Por enquanto, não há sinal de que serão feitos investimentos para atender tais necessidades. Outros municípios também sofrem com essa mesma carência. Moradores precisam apelar a extintores, baldes, mangueiras e, em alguns casos, ao caminhão-pipa da prefeitura para tentar evitar prejuízos maiores.   

O caso de ontem representa apenas uma das diversas dificuldades decorrentes da demora para atender urgências. Temos outro exemplo - em situação distinta - também no interior do Estado, onde municípios foram duramente castigados pelas chuvas nos últimos dias. Prefeitos decretaram situação de emergência, mas até agora aguardam liberação de recursos. Pontes e estradas foram destruídas, prejudicando até mesmo a economia local. Há preocupação com o escoamento da soja, caso os reparos não sejam agilizados. Mesmo assim, o Governo do Estado liberou apenas R$ 15 milhões dos R$ 217 milhões do Fundersul para estas localidades, quantia insuficiente para reparar as vias destruídas. O recurso do Fundo deveria ser utilizado justamente para essa finalidade e, portanto, fica complicado aguardar que o Governo Federal libere dinheiro, ainda mais em época de tantas dificuldades financeiras. 

Seria fácil elencar outros casos de atraso em investimentos que podem gerar graves prejuízos. A recuperação da Avenida Ernesto Geisel, que desmorona a cada chuva; obras de Centros de Educação Infantil (Ceinfs) esquecidas enquanto pais sofrem em busca de vagas; hospitais do interior que carecem de recursos e precisam apelar a Campo Grande ou  até mesmo a demora para sinalizar avenidas, algo que ajudaria a evitar acidentes. Contradições inaceitáveis!

Por isso, as cobranças não podem cessar. Problemas não podem ser repetidos anos depois somente porque governantes encontraram outras prioridades. Infelizmente, pelo ritmo atual, não teremos em breve providências adotadas para solucionar dificuldades que se repetem há anos. A população está cansada da atual reprise: alta carga tributária, aumento de produtos, investimento zero e repetidos escândalos de corrupção a nível nacional. Enquanto isso, moradores continuam a temer novos dramas e capítulos de terror.

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