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ARTIGO

Débora Salatino Palomares e Marçal Rogério Rizzo: "Obesidade: uma doença multifatorial"

Acadêmica do curso de Direito da UFMS-Três Lagoas e Professor adjunto do curso de Administração da UFMS - Três Lagoas

Redação

07/01/2016 - 00h00
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A obesidade é considerada uma doença que provoca o acúmulo de gordura corporal ao ponto de propiciar danos à saúde, sendo suas causas relacionadas tanto com fatores genéticos e comportamentais, quanto com fatores ambientais, emocionais, entre outros.

Nas últimas décadas, o percentual de obesos vem crescendo de maneira alarmante em todo o mundo. O mais apavorante é que o índice de obesidade no planeta já é superior ao da desnutrição, sendo considerada, assim, a epidemia do século XXI. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade mais do que dobrou no planeta desde a década de 1980. Em 2008, os adultos que estavam acima do peso eram 1,4 bilhões, dos quais mais de 200 milhões de homens e quase 300 milhões de mulheres eram obesos.

Em 2010, o número de crianças menores de cinco anos que estavam acima do peso era de cerca de 40 milhões. Considerados esses números, a obesidade está presente em todos os países, sejam ricos ou pobres, e em várias faixas etárias: crianças, adolescentes e adultos.

O aumento de peso decorre, especialmente, das comidas fast food: aquelas preparadas rapidamente, que podem ser entregues em casa e ainda com sabor agradável.

Em uma sociedade em que se prega que “tempo é dinheiro”, nada mais atrativo, não é mesmo? Esse estilo de vida, caracterizado pela ingestão de alimentos ricos em açúcar e gordura e associado ao sedentarismo, tem um “preço alto”: o aumento de peso e vários problemas de saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e até mesmo algumas espécies de câncer, entre outras.

Comer além das necessidades nutricionais também é sinônimo de prazer, contudo, para algumas pessoas, esse prazer se transforma na busca de preencher várias faltas ou carências, como de proteção ou amor, perda, ou de lidar com separação, isolamento, raiva, ansiedade e outros sentimentos.

Logo, para essas pessoas, que possuem motivos internos e externos, o desejo e o prazer de comer tornam-se distintos da fome, o que leva à compulsão e, consequentemente, ao ganho de peso.

Dessa forma, o alimento passa a ser um tranquilizante, isto é, um alívio de um intenso estado de ansiedade e angústia que induz a comer cada vez mais.

Com isso, a compulsão por comer pode até ser comparada com uma toxicofilia, isto é, uma adição sem drogas como o álcool e o tabaco, por exemplo. E restringir a ingestão de alimentos sem tratar as causas que levam a uma compulsão exagerada não é o mais apropriado, uma vez que impede a “válvula de escape” do indivíduo, fazendo que o desconforto interno permaneça ou até mesmo seja ampliado.

Ademais, a obesidade também compromete o estado psicológico do indivíduo obeso, pois a sociedade e a mídia, ao mesmo tempo, valorizam a magreza e, por outro lado, incentivam a má alimentação.

Aqueles que não se encaixam nos “padrões” de beleza impostos sofrem com a discriminação e o bullying, o que promove sentimentos de vergonha, frustração, impotência, humilhação, rejeição, fracasso e baixa autoestima.

No início de 2014, um caso de discriminação que teve repercussão nacional foi o da professora de sociologia Bruna Giorjiani de Arruda, de 28 anos, da cidade de São José do Rio Preto, interior do Estado de São Paulo. Bruna, ao ser aprovada em segundo lugar em um concurso público de Educação do Estado de São Paulo, foi impedida de assumir o cargo de professora em Mirassol, cidade também do interior do Estado, por ter Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40, o que é considerado pela OMS como obesidade mórbida, já que o limite é de 40.

Após um mês do acontecimento e somente ao passar por nova perícia e ter perdido seis quilos – de que resultou sua “classificação” com IMC 39 – Bruna conseguiu ver homologada sua aprovação no concurso.

Para a medicina moderna, um olhar psicossomático (ou somatopsiquíco) pode ser aplicado com relação à obesidade. De acordo com a revista Psique Ciência & Vida (Ano VIII, nº 104), “a junção do saber médico e psicológico criou oportunidade de dar sentido e significado às queixas do paciente, enriquecendo a maior compreensão das relações mente e corpo.

Analisar conflitos inconscientes e conscientizá-los junto ao paciente resulta na melhora clínica dos sintomas físicos e emocionais relacionados à doença atual do indivíduo”.

Assim, há um crescimento preocupante da obesidade em todo o mundo, que decorre de vários fatores, e de distintas ordens, que, uma vez associados, acabam por “engordar” ainda mais essa estatística. Logo, uma visão psicossomática com relação à obesidade vem a acrescentar no tratamento, proporcionando melhora no estado psíquico do paciente, o que acarreta resultados mais efetivos na perda de peso.

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