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Editorial deste domingo: "Eterno retorno"

Editorial deste domingo: <br>"Eterno retorno"

Redação

10/01/2016 - 00h00
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A perspectiva dos economistas para 2016 é que os porcentuais de custo de vida continuem em patamares altos, por isso, o planejamento permanece sendo o mantra do brasileiro

O ano virou, mas os noticiários, tanto nacionais quanto regionais, continuam divulgando informações preocupantes da economia do País. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado na última semana, mostra que Brasil terminou 2015 com inflação de 10,67%, a maior taxa desde 2002. Somente em dezembro, foi de 0,96%. Em Campo Grande, o porcentual acumulado de janeiro a dezembro foi de 9,96%, muito acima do centro da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN). A perspectiva dos economistas para 2016 é que os porcentuais de custo de vida continuem em patamares altos, por isso, o planejamento permanece sendo o mantra do brasileiro.

O aumento do custo de vida tem sido um dos assuntos mais corriqueiros entre a população. A crise acentuou-se em 2015, com índice inflacionário elevando-se mês a mês, superando a média histórica calculada desde 2002. Um cenário que lembrou muito a época da remarcação diária de preços, comum até meados da década de 1990. Durante grande parte do ano passado, o governo federal tentou mascarar os efeitos da política econômica, alegando que a situação era momentânea e não refletia a macroeconomia brasileira. Porém, a tática foi abandonada quando se percebeu que seria impossível manter o discurso, enquanto os próprios números divergiam da tese defendida. O ex-ministro Joaquim Levy admitia a perspectiva negativa e, depois, tinha que atenuar o que fora dito a mando do Planalto.

Os relatórios sobre as perspectivas para 2016 apontam para cenário ainda negativo, afetando o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), com retração de 1% a 1,5% e índice inflacionário de 6,2%. A inflação seria menor do que o fechamento de 2015, ainda assim, longe do centro da meta fixada pelo governo federal, desde 2005. Além disso, a estimativa é que o porcentual só começaria a ter baixa efetiva em médio prazo, estimado para 2019, conforme boletim Focus do Banco Central, divulgado no último trimestre de 2015. Ou seja, embora haja projeção de melhora no cenário – o que ocorreria no segundo semestre de 2016 –, seria resultado paliativo e abaixo do esperado, pelos esforços fiscais feitos até agora.

O cenário nacional repete-se regionalmente. Mato Grosso do Sul ainda terá pela frente o agravante de que o retorno da alíquota de ICMS do diesel para 17% terá efeito cascata, com encarecimento do setor de transporte, influenciando, assim, no valor final dos produtos. Por isso, o que foi falado em 2015 mantém-se para 2016: o momento é de ajustes econômicos e controle de gastos. A divulgação de índices desfavoráveis ainda vai continuar, conforme os próprios economistas. Janeiro deste ano será repetição dos índices alcançados em 2015, uma espécie adaptada do Eterno Retorno, conceito do filósofo Friedrich Nietzsche. O pensador alemão tratou da repetição de fatos e sentimentos, com pequenas variações, mas substancialmente iguais, como possibilidade de aceitação e afirmação da vida. No cenário econômico, o Eterno Retorno se faz presente. Espera-se que os índices negativos deixem de ser tão recorrentes; mas, até lá, é melhor se preparar e continuar apertando o cinto.

 

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