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"Acreditem: não estamos preparados"

Mariane Brauna Carneiro Acadêmica do curso de Direito da UFMS de Três Lagoas/MS <br> Vanessa Cristina L. C. Ferreira da Palma Professora do curso de Direito da UFMS – Campus de Três Lagoas/MS

Redação

12/01/2016 - 00h00
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Embora o Estado seja deficitário na política econômica, na infraestrutura do país, na promoção de inúmeras garantias constitucionais, dentre elas o direito à saúde e, sobretudo, à vida, vale dizer que o banimento da pessoa idosa, que tanto contribuiu para o crescimento da nação e fortalecimento da instituição familiar, está presente aqui e lá. Explicamos.

No ano de 2013, de acordo com o ranking de felicidade da Organização das Nações Unidas (ONU), os dinamarqueses foram escolhidos como a população mais feliz do mundo. Frise-se que a pesquisa levou em consideração o PIB (Produto Interno Bruto) per capita da população, expectativa de vida saudável, percepção de corrupção no país, liberdade, IDH (índice de desenvolvimento humano) e nível de confiança que as pessoas têm umas nas outras.

Mesmo sendo um país de primeiro mundo e recebendo tal título, a Dinamarca, assim como o Brasil, apresenta, no entanto, as suas deficiências no que tange à institucionalização e esquecimento das pessoas de idade avançada. Dessa forma, retratando os últimos dias de seu pai idoso e demente num asilo, o jornalista e escritor dinamarquês Knud Romer, no documentário “Uma folha cai ao céu”, relata que “o dia mais vergonhoso de sua vida foi quando precisou desistir de cuidar de seu pai e institucionalizá-lo”. Disse, por fim, que, apesar de sua sociedade ser moderna e uma das mais ricas do mundo, ela se livra dos seus idosos.

Feito esse paralelo, reportamo-nos ao Brasil, país de terceiro mundo e em desenvolvimento. É inquietante imaginar que talvez a problemática não esteja somente nos recursos ineficientes do Estado. É certo que, assim como na Dinamarca, o Brasil não está preparado para os desafios na área da saúde em razão do crescente envelhecimento populacional.

Vale trazer à memória que as pessoas idosas muito contribuíram para o crescimento da economia brasileira, honraram o país com seus impostos, e isso deveria ser considerado. Com o tempo, passaram, no entanto, a não se enquadrar no modelo de consumo, a não apresentar eficiência para o mercado de trabalho e, consequentemente foram excluídas, até mesmo de qualquer participação dentro de sua própria comunidade.  Mas o pior acontece quando são impossibilitados de se assentar à mesa juntamente com os seus familiares, e são esquecidos no quartinho dos fundos, por assim dizer.

Entre nós, acertadamente, a Constituição de 1988, bem como o Estatuto do Idoso, esculpiram que: “É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.”

É bom lembrar que um dia todos nós envelheceremos. É preciso dialogar sobre o tipo de sociedade que queremos. Somos tendenciosos a culpar o Estado, no entanto a legislação é clara ao dizer, em primeiro plano, que é da família o dever de cuidar. O Estado de Bem-Estar começa dentro dos laços de família. Precisamos oferecer honra a quem merece honra. Precisamos exercer a solidariedade, sendo certo que estaremos preparados para oferecer àqueles que tanto fizeram por nós uma vida digna e feliz. 

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