Novamente uma crise econômica afeta a vida dos brasileiros. Eleva-se o preço da cesta básica, da energia, da água, do combustível. Consequentemente, há queda no consumo dos mais diversos produtos. Incerteza e insegurança são os sentimentos que caminham com todos. A sensação é de desmoronamento. E no meio da crise também continua a degradação ambiental sem igual, como a triste lama de Mariana.
E mais “lama” é diuturnamente produzida e divulgada pela mídia: corrupção, aumento de desemprego, retração da economia, corte de investimentos nas áreas essenciais. E, diante de toda essa onda, volta-se à antiga moda: repensar o consumo. Estimula-se o consumo consciente, com intuito de fazer as pessoas pouparem ao mesmo tempo em que só comprem por real necessidade.
A ideia é de um consumo menor e melhor, razão pela qual se estimula o uso adequado da água, da energia elétrica, dos alimentos. Algumas pessoas acabam por assim agir sem pensar. Muitos, intencionalmente. E mais que isso: as pessoas estão buscando informações a respeito daquilo que adquirem; mais que consumidores, estão se tornando pensadores sustentáveis. Prova disso foi o acordo do clima firmado há alguns dias na COP21 (21º Conferência do Clima) em Paris, na França, por meio do qual 195 países comprometeram-se a adotar medidas destinadas à população e à indústria na redução da emissão de gases que causam o efeito estufa e limitar o aumento do aquecimento global a 15 ºC. Deu-se um passo à frente, se comparado ao compromisso firmado no já “esquecido” Protocolo de Kyoto.
Esse acordo foi de certa forma pressionado por um consumo que é necessário, mas que necessita ser mais “limpo”. As grandes empresas já perceberam o potencial escondido por trás da imagem “verde”. Muitas já deram a largada para conquistar aquele comprador que agora preza pela preservação do meio ambiente. Temas ligados à sustentabilidade ambiental, embora nunca tenham “saído de cena”, estão voltando à tona.
O grande desafio está na produção: sobretudo, em atrelar preço, qualidade, lucro e proteção do meio ambiente, o que se mostra muitas vezes o “x” da questão. Uma equação insolúvel para alguns, mas que requer especialmente a atuação do consumidor para um bom resultado para as presentes e futuras gerações. E que a volta da conscientização ambiental perdure e se torne apenas uma “marolinha” numa futura lembrança.