A presidente Dilma admitiu os erros, mas já passou da hora de adotar medidas convincentes e verdadeiramente eficientes
Números do desemprego expressam bem o drama dos brasileiros em 2015. No País, foram 1,5 milhão de vagas formais fechadas. Somente em Mato Grosso do Sul, perdemos 11,5 mil postos, pior saldo desde 1992. O Governo, cumprindo seu papel, tenta a todo custo manter otimismo. O ministro do Trabalho e Emprego, Miguel Rossetto, fez questão de ressaltar que “as conquistas dos últimos anos estão preservadas, pois o estoque de empregos continua alto”. Alinhado com o discurso da presidente Dilma Rousseff, destacou os esforços para impedir que o desemprego se eleve ainda mais. Continua a tentativa de convencer a população apenas com base em discursos, pois, na prática, a realidade mostra-se bem mais árdua. Infelizmente, as perspectivas não são muito animadoras. O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou, em seu periódico, previsão de que a economia brasileira começará a recuperar-se apenas em 2018.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve sofrer queda de 3,5% neste ano, depois de já ter encolhido 3,8% no ano passado, conforme divulgado pelo FMI. Por isso, a dificuldade em crer na possibilidade de reversão da recessão econômica. Acrescenta-se à lista de desafios os sobressaltos nas finanças mundiais, sobretudo da China, segunda maior economia do Mundo. O País anunciou a menor expansão desse PIB dos últimos 25 anos, em 6,9%. O mercado chinês é responsável por aquisição de grande parte das commodities brasileiras e Mato Grosso do Sul não escapa da zona de perigo caso a demanda consumida diminua. No ano passado, de toda a soja exportada pelo Estado, cerca de 80% foi destinada à China. Entretanto, há de se ponderar que ainda não sofremos este impacto, considerando que a exportação do grão encerrou 2015 com saldo positivo.
Na verdade, foi justamente o resultado do campo - principalmente da exportação de soja, milho e celulose - que segurou a maior parte da receita no ano passado, em Mato Grosso do Sul. Do lado oposto, aparece a indústria, com forte desaceleração. No Estado, a perda chegou a US$ 804 milhões com as vendas externas. A desaceleração refletiu-se diretamente no índice de desemprego, liderado justamente por esse setor. Em seguida, vem o fechamento de postos de trabalho na área da construção civil. Empresários seguraram investimentos diante da recessão econômica e, em Campo Grande, não tivemos praticamente lançamentos de novos empreendimentos residenciais. O contingenciamento de verbas, principalmente federais, também impactou na paralisação de obras e não foram lançados novos projetos.
Ficam evidentes os danos na economia brasileira com a maquiagem nas contas feita pelo Governo, na tentativa de iludir os brasileiros em 2014, ano de campanha eleitoral. Excesso de incentivos e estímulos ao crédito resultou no desastre que acompanhamos hoje. A presidente Dilma admitiu os erros, mas já passou da hora de adotar medidas convincentes e verdadeiramente eficientes para corrigi-los. Infelizmente, parece que um ano será pouco para promover os devidos ajustes em meio a tantos equívocos.