Artigos e Opinião

ARTIGO

Kárita Sena: "Os focos do problema e o problema de foco - Aborto e microcefalia"

Jornalista, membro do Comitê Sul-Mato-Grossense de Cidadania pela VIDA - Brasil sem Aborto

Redação

06/02/2016 - 00h00
Notícia sem imagem

Todo mundo já sabe: água parada e mosquitos não combinam. E quando combinam, pode ser fatal. Apesar disso, por todos os lados, o que vemos, assistimos e lemos o tempo todo é a displicência da água parada. Aí está o verdadeiro crime! Pessoas estão morrendo, ficando gravemente doentes e com sequelas para a vida toda por conta da falta de ação de alguns - para não dizer muitos. O poder público age com lentidão e negligência. Uma parcela da sociedade também não faz sua parte e, em consequência, todos sofrem. 

Só que os focos do mosquito, de repente, deixam de ser o foco do problema e, ardilosamente se planta um debate improfícuo: o aborto. E, mais uma vez, sobra para bebês inocentes. A inação de governantes e cidadãos acarreta em uma condição difícil e desconhecida para milhares de famílias brasileiras, como é a microcefalia e, ao invés de se empreender todos os esforços para o combate incansável do mosquito e seus focos de proliferação, promove-se o sacrifício de bebês com “necessidades especiais”.

E mais: sempre existiram casos de microcefalia no País e nem por isso defendia-se o extermínio desses bebês. A discussão sobre o aborto de fetos com microcefalia ganhou espaço apenas devido à inércia do governo e da população que resultou em uma epidemia de zika no Brasil, sendo que médicos e pesquisadores nem descobriram exatamente qual a relação entre a infecção pelo vírus e os quadros de microcefalia. Importante ainda lembrar que existem diferentes graus de microcefalia que geralmente só são descobertos depois do parto, ainda que realizados em laboratórios modernos. 

É cruel. Há incompetência na prevenção da dengue, zika e chikungunya e na realização de exames que façam o diagnóstico rápido e eficaz dessas doenças. Há despreparo e falta de investimento para o pré-natal de mulheres grávidas neste momento de epidemia. Há também falta de infraestrutura dos hospitais brasileiros que não estão aptos a receber crianças que precisam de acompanhamento médico com diferentes profissionais da área de saúde. Há corrupção e negligência. 

No entanto, vem à tona o aborto de crianças com microcefalia, como se isso resolvesse alguma coisa! Afinal, matar é mais fácil do que combater os focos do mosquito, oferecer medicamentos, consultas médicas, exames, professores e escolas adaptadas para crianças com microcefalia, além de políticas sociais que garantam assistência integral a essas famílias.

Mas se fôssemos seguir esse raciocínio do menor esforço, por qual motivo a sociedade não permitiria o aborto em casos de crianças com outras más-formações congênitas ou mesmo com Síndrome de Down? A que ponto vamos chegar na tentativa insana de termos o corpo ideal medido pelos parâmetros de uma sociedade narcisista e egoísta? Quantas exceções serão permitidas na busca do “bebê perfeito”? Quantas mortes mais serão legalizadas no anseio de se criar uma “raça perfeita”?  

Da mesma forma que não se permite o aborto de bebês simplesmente por apresentarem alguma doença ou síndrome, não faz sentido matar crianças que, se receberem os devidos cuidados médicos, podem ter condições de levar uma vida plena e cheia de realizações.

Seria ético, correto ou humanitário permitir uma verdadeira roleta-russa em que o alvo seriam bebês inocentes condenados pela falta de atitude de toda uma nação?   Matar nunca é solução. Que nossos governantes usem a condição de representantes da sociedade e invistam tudo o que puderem para o combate à causa do problema. Dengue, zika e chikungunya matam! Nós, não. 

Artigo

A vingança da natureza promete ser terrível!

As florestas tropicais, como a Amazônia, as florestas da África Central e as do Sudeste Asiático, desempenham papel fundamental para o equilíbrio climático do planeta

06/11/2026 07h30

A vingança da natureza promete ser terrível!

A vingança da natureza promete ser terrível! Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

Editorial

Aversão à vigilância da atividade policial

Se não existe procedimento padrão seguro dentro das delegacias, que dirá fora delas

06/11/2026 07h20

Aversão à vigilância da atividade policial

Aversão à vigilância da atividade policial Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).