Contradição e mais contradição. Aliás, o mundo das contradições é uma prática comum no mundo político. Por ocasião da discussão do PL 4330/04, que ampliava a terceirização no setor privado e em empresas públicas de atividades meio para atividade fim, o próprio PT se posicionou visceralmente contra. Entretanto, pelo que se vê no atual contexto, até mesmo a Presidência da República vem sendo terceirizada. Essa é a sensação que se tem em face das inúmeras manifestações da presidente Dilma Rousseff, ao se referir a Lula como presidente. Seria por omissão, reverência ou para arredá-lo do furacão (foco)?
Apenas para se cingir aos últimos dias, na entrevista que deu no Rio de Janeiro, no dia 13/2/16, por ocasião do ato de combate ao vírus da zika, por três vezes, Dilma assim se pronunciou: “Converso sistematicamente com o presidente Lula. Acho que ele está sendo objeto de grande injustiça”; “Respeito muito a história do presidente Lula...”; “...a América Latina e o mundo precisam de uma liderança com as características do presidente Lula” (Folha de S. Paulo, poder, A4, 14.2).
A rigor, o que se percebe é o próprio desespero da Presidente. As arestas do Mensalão, Lava Jato, impeachment, julgamento de cassação no TSE (último pleito presidencial), pedaladas, associados aos problemas que isso tudo reflete na vida dos brasileiros, vêm transtornando o seu dia a dia como mandatária do país, respingando inclusive no seu emocional. Esse “ponto fora da curva” tem se verificado ultimamente até mesmo nos seus pronunciamentos.
Aparentemente, os interesses da Nação ficaram em segundo plano. Não bastassem esses inúmeros problemas, vieram as acusações envolvendo o ex-presidente Lula. Ao que parece (veiculado pela imprensa), a presidente Dilma inicialmente pretendia ficar distante desse emaranhado, mas não conseguiu, porque a pressão foi grande.
A sua vinda a São Paulo na sexta-feira (12.2) exclusivamente para encontrar com Lula em um hotel da cidade, para tratar das investigações sobre eventual ocultação de patrimônio (triplex e sítio, no Guarujá-SP e Atibaia-SP, respectivamente) reflete esse quadro. O deslocamento não foi para tratar de questões de interesses do país, mas sim, de interesse privado, porém às expensas do erário público e consequentemente com prejuízo de outros afazeres em prol do interesse da coletividade.
De fato, os escândalos que vêm se sucedendo no país são preocupantes até mesmo para os mais otimistas. A cada dia surge mais um e em todos os níveis de governo (municipal, estadual e federal), como se fosse uma “pandemia”. Uma crise moral e de gestão generalizada. Todos são prejudiciais, não há dúvida. Porém, aqueles em nível nacional são mais catastróficos ainda.
Ora, administrar uma Nação em um período sem turbulência já é complicado. O que se esperar no atual contexto em que passa a sociedade brasileira?
Nas circunstâncias atuais, o quadro se agrava mais ainda, pois Dilma, pelas evidências, em vez de comandar o País, está muito mais preocupada com o impeachment, o Eduardo Cunha, a oposição e a defesa de Lula. Paradoxalmente, o mosquito Aedes Aegypti veio trazer-lhe certa “tranquilidade”.
Apesar disso tudo, não se pode olvidar que o eleitor elegeu Dilma Rousseff para o comando do Brasil. Esse mister não pode ser abdicado em favor de terceiro.