Cada qual tem seu caminho e sua maneira própria de caminhar. Não existem caminhos iguais, pois cada um cria e constrói o seu. O difícil talvez seja definir como pensar, como construir e para onde direcionar seu caminhar.
Uns são tentados a entrar no caminho dos outros. Apesar das tentativas nesse sentido dificilmente conseguirão algum resultado satisfatório. E, se conseguirem, não terão a segurança necessária. Antes de fracassar será melhor retomar o próprio caminho e fazer o possível para assegurar seus sonhos e seus objetivos.
Na Bíblia sagrada me chama a atenção uma parábola que envolve o pai e dois filhos. Cada qual com sua personalidade, com seus sonhos e seus projetos. Não diz se viviam em boas relações ou não. Diz que um dia o filho mais novo resolveu tomar uma atitude inusitada. Talvez insatisfeito com a condição de ser o mais novo e ter que depender dos outros, resolveu aventurar pelo mundo desconhecido.
Não encontrou resistência nem por parte do irmão e muito menos por parte do pai. Pelo contrario, o pai dividiu os bens e deu-lhe aquilo que lhe pertencia. E o filho parte para suas aventuras de adolescente. Freqüenta os ambientes mais atraentes para sua idade. Envolve-se em festas, em serestas e em tudo o que imaginaria que completasse seus anseios de independência e de liberdade.
Como nem tudo o que brilha é ouro, sua fantasia tambem entrou numa nuvem escura e viu suas alegrias se transformarem em tristezas. Viu os tantos companheiros se afastarem e tomarem outros rumos. Aquilo que recebera como herança sumiu e ele se viu na pior das situações que um ser humano pudesse imaginar.
E agora? A festa acabou. Os amigos sumiram. E o vazio tomou conta do seu coração e da sua mente. Viu-se despido de sua dignidade, destruído em sua honra e despedaçado em seus sonhos. Encontrou-se frente a frente com sua miséria. Encontrou-se só. Terrivelmente só.
E o pai? O pai fizera algo alem da sua vontade. Dera-lhe o que pedira e não interferiu em sua decisão. Deixou fazer o que bem quisesse. Ficou aguardando que um dia haveria de retornar ao seio da família. Não correu atrás para não intimidá-lo. Não condenou sua postura. Não proibiu e nem exigiu nada em seu comportamento.
O amor de pai para filho faz isso. Deixa o filho aventurar a felicidade onde ela pode não estar. Deixa percorrer caminhos que não levam a lugar nenhum. Deixa provar prazeres que provocam desencantos. Deixa cair na lama da nulidade. Deixa experimentar a decepção de tudo quanto sonhava. Espera o arrependimento e a decisão de retornar à casa paterna.
Ao retornar o abraça e lhe devolve a dignidade que havia perdido. Veste-o com a honra que havia destruído. E celebra o banquete da graça que havia desprezado. Agora tudo se torna luz, graça e salvação. Tudo é festa, pois o filho que se havia perdido foi encontrado. O filho que estivera morto tornou a viver. O filho que tomara o caminho do pecado voltou ao caminho da salvação. (Lc. 15,11-32). E a festa continua para sempre.