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Editorial desta segunda-feira: "Basta à corrupção"

Editorial desta segunda-feira: "Basta à corrupção"

Redação

14/03/2016 - 00h00
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Democraticamente, os brasileiros reagem e apelam para que o caos não persista. Não suportam mais tanta corrupção.

A economia piorou, denúncias de corrupção não param de aparecer e, inevitavelmente, o descontentamento cresceu. A insatisfação dos brasileiros ficou evidente ontem nos protestos que tomaram conta das ruas de cidades por todo o País. Eles pedem basta aos atos de corrupção e reforçam o apelo para impeachment da presidente Dilma Rousseff. O recorde de público nos atos representa o desabafo da população, cansada do desgoverno que ocorre hoje, do completo desastre financeiro e da falta de explicações convincentes diante dos sucessivos escândalos que estão sendo desmascarados pela Lava Jato.

A quantidade de brasileiros nas ruas superou as grandes manifestações de praticamente um ano atrás, no dia 15 de março. Sinal do agravamento dos problemas que já levavam a maioria dos brasileiros a pedir a saída de Dilma. Nas duas últimas semanas, denúncias reacenderam a chama do impeachment e impulsionaram ainda mais a insatisfação. Primeiro, revelações feitas pela revista IstoÉ, do acordo de delação premiada do senador sul-mato-grossense Delcídio do Amaral (PT), comprometeram ainda mais Dilma e o ex-presidente Lula. Eles tentavam atrapalhar as investigações da Lava Jato e sabiam do esquema de desvios de recurso na Petrobras, incluindo a superfaturada compra da refinaria de Pasadena. O então líder do Senado, que ficou 87 dias preso, era considerado homem de confiança do Governo. 

No dia seguinte a esse escândalo, Lula foi levado coercetivamente a prestar depoimento. Na semana seguinte, o Ministério Público de São Paulo pediu sua prisão preventiva. Ele é acusado de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.  Por mais que não haja embasamento suficiente para pedir a prisão neste momento, as ações contribuíram ainda mais para o descontentamento da população. Somam-se ainda as denúncias acerca de doações feitas por empreiteiras para a campanha de Dilma.

Em meio a todo esse “mar de lama” da corrupção, o País enfrenta sua maior recessão econômica em mais de 20 anos. E, na visão de muitos políticos e empresários, a renúncia ou impeachment da presidente Dilma é a alternativa para o Brasil sair da crise. Afinal, essa é a sinalização do mercado financeiro. Diante das novas denúncias, que abalam a permanência de Dilma e acabam com  as chances de Lula concorrer ao cargo em 2018, o dólar caiu e as bolsas subiram. O cidadão que foi às ruas ontem também se manifestava contra os equívocos econômicos sem precedentes. A inflação do País chega a 10,36%, o desemprego é recorde, com 1,5 milhão de postos de trabalho fechados, e Produto Interno Bruto (PIB) teve o pior resultado desde 1990. O atual governo, portanto, está sendo visto como sinônimo de retrocesso financeiro.

Dilma vivenciou, sem dúvida, momento de terror neste fim de semana, como já era previsto. Mais dias terríveis, entretanto, estão por vir. O forte apelo das ruas não poderá mais ser ignorado, pois já tornou-se insustentável tentar manter o atual Governo. Democraticamente, os brasileiros reagem e apelam para que o caos não persista. Não suportam mais tanta corrupção e, por isso, as punições devem atingir todos os envolvidos. As ruas lotadas comprovam a falta de credibilidade da presidente e a necessidade urgente de pôr fim ao clima de instabilidade para que as preocupações estejam voltadas a construir um futuro melhor para todos e não mais em tentar corrigir o incorrigível. 

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