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Confira o editorial desta sexta-feira: "Revolta crescente"

Confira o editorial desta sexta-feira: "Revolta crescente"

Redação

18/03/2016 - 03h00
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Com a crescente revolta popular e instituições desacreditadas e em clima de discórdia, há preocupação de que a “rebelião” que toma as ruas ganhe proporções difíceis de controlarUm País à deriva, desgovernado e sem rumo.

Esse é o Brasil hoje, com todas as preocupações voltadas para a catástrofe política do governo Dilma Rousseff, em um cenário de turbulência econômica longe de ser resolvida. Nas ruas, a população reage, pede basta, pois não tolera mais os sucessivos escândalos de corrupção revelados pela Lava Jato. O estopim das confusões foi a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Ministério da Casa Civil, numa manobra para que ele escapasse de uma eventual prisão, cujo pedido estava sob análise do juiz Sério Moro. Diálogo entre Dilma e Lula acirrou ainda mais os ânimos. Revela que o termo de posse poderia ser usado somente em caso de necessidade, o que, para os investigadores, sugere a artimanha para garantir a Lula o foro privilegiado com novo cargo. Assim, o julgamento caberia apenas ao Supremo Tribunal Federal.

Brasileiros reagiram, com protestos em todos os estados. Inadmissível que o repúdio das ruas, que já tinha sido fortemente demonstrado no domingo, tenha sido tão ignorado. O governo paga o preço e só vê crescer a rejeição, que já batia recorde. A nomeação e posse de Lula para o ministério, na sequência dos manifestos, foi total demonstrativo de afronta e desprezo pelo anseio popular. Acabou suspensa, pouco depois da solenidade, pelo juiz da 4ª Vara Federal Itagiba Catta Preta Neto, que é favorável aos protestos que pedem impeachment da presidente, conforme comprovam postagens feitas em sua página pessoal no Facebook. Lula e o governo já recorreram contra a liminar. 

A turbulência das gravações também atingiu a Suprema Corte, pois Lula chegou a dizer que o Supremo é um tribunal acovardado. O ministro Celso de Mello, mais antigo no STF, respondeu às ofensas. Falou da crise moral que envolve os altos escalões da República. Chamou a reação de “torpe e indigna, típica de mentes autocráticas e arrogantes, que não conseguem esconder, até mesmo em razão do primarismo de seu gesto leviano e irresponsável, o temor pela prevalência do império da lei e o receio pela atuação firme, justa, impessoal e isenta de Juízes livres e independentes”. O clima segue tenso também na Câmara dos Deputados, que votou ontem a instalação da comissão especial para analisar o processo de impeachment, depois de muito bate-boca.

No Judiciário, Legislativo e Executivo, as atenções estão voltadas para o terremoto que atinge o Planalto. O impacto ocorre, ainda, no mercado financeiro. Diante da imprevisibilidade e das escassas possibilidades de resolução em curto prazo, na política brasileira, a recuperação da recessão tem ficado em segundo plano. Dilma e aliados tentaram propagar a ideia de que Lula como ministro seria o “salvador da pátria”, com novas propostas no campo econômico. Algo impossível, diante das denúncias de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Com a crescente revolta popular e instituições desacreditadas e em clima de discórdia, há preocupação de que a “rebelião” que toma as ruas ganhe proporções difíceis de controlar. Nesse momento e atual contexto, pensa-se sobre o que está sendo articulado pelas Forças Armadas, que podem estar agindo silenciosamente. Caso as reações ao caos no Planalto fiquem fora de controle, com radicalização e confronto nas ruas, será preciso intervir para evitar a guerra civil, restabelecer a democracia e retomar o controle do Brasil. Por enquanto, o futuro dos brasileiros é incerto, e o governo continua a dar motivos para inflar ainda mais a revolta popular, que atinge todo o País. 

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