Artigos e Opinião

ARTIGO

Paulo Cabral: "Oportunismo rechaçado"

Sociólogo e professor

Redação

23/03/2016 - 02h00
Notícia sem imagem

As manifestações do último dia 13, em todo o país, disseram que os cidadãos estão fartos de desmandos e corrupção. A Presidente, Lula e o PT foram seus alvos privilegiados; outros apoiaram a Polícia Federal; muitos enalteceram Moro (a necessidade de heróis salvadores da pátria é grande ainda); alguns pediram a volta dos militares; além de questões locorregionais, também trazidas para as ruas.

Ao se examinar a relação entre os poderes, tem-se a subordinação do Legislativo ao Executivo (o dono do cofre), evidenciando interesses recíprocos, não raro escusos, que tecem o arremedo de governabilidade, frequentemente usada para tentar justificar a corrupção, operada em conluio com segmentos do setor privado, agora impedido de financiar campanhas eleitorais, importante sorvedouro dos ¨propinodutos” supra partidários.

A despeito de o PT ter sido focado pela maioria dos grupos organizadores do protesto, outros não se limitaram ao “fora Dilma, fora PT”, aprofundando sua crítica aos partidos políticos de forma geral. Esta percepção é corroborada pela reação dos participantes do evento de São Paulo, xingando o Governador Geraldo Alckmin e o Senador Aécio Neves, rechaçando suas presenças, denunciando o oportunismo de suas excelências.

Cabe aqui refletir sobre a falência de nossos partidos políticos, cujas estruturas e “modus operandi” são incapazes de captar os anseios da sociedade; de atuar na construção do bem comum; de assegurar real participação democrática em seu interior, cerceando a emergência de novos quadros e lideranças, imprescindíveis à oxigenação da prática política. Se dentro do partido manda o “cacique”, como esperar conduta distinta nos parlamentos? Compreende-se assim a estratificação de deputados e senadores entre “alto e baixo clero” embora, constitucionalmente, devessem ser todos iguais. Entende-se até a escolha de Eduardo Cunha e Renan Calheiros para presidir as casas do Congresso Nacional. O “troca-troca” de siglas ensejado pela janela partidária mostra cada qual buscando fortalecer seu projeto pessoal de poder. Às favas ideologia, princípios e programa partidários ou lá o que seja, tudo mera ficção, formalidades para atender a uma legislação eleitoral caduca.

Os partidos nanicos, os chamados de aluguel, se existem é porque são extremamente úteis  aos grandes partidos, que os  locam por meio de coligações fisiológicas, sem qualquer identidade, negociadas pelas cúpulas partidárias.

Quanto ao PMDB, a convenção de 12/3 confirma seu fisiologismo, característica das agremiações jejunas de finalidade, além do poder pelo poder. Emitiu aviso prévio para deixar a base governista sem, contudo, entregar os ministérios, apenas abstendo-se de assumir novas pastas até 12/04. Como ratos, ao perceberem o risco de naufrágio, movimentam-se para deixar o navio, mas, enquanto ele não for a pique, permanecerão mamando nas gordas tetas ministeriais, até o final.

De volta aos personagens indesejáveis, o que fazia o senador mineiro na manifestação da Paulista? Mais coerente teria sido permanecer em Belo Horizonte. Parece que a guerra interna do PSDB, entremostrada nas prévias para a candidatura à prefeitura de São Paulo, está ganhando fôlego. Aécio junto de Alckmin, nesse ato  público, pode ser visto como a luta aberta por eles contra José Serra, também no páreo sucessório. Ensaiou-se, desastradamente, o lançamento da campanha de Aécio para suceder Dilma (seja quando for) e acirrou-se a disputa nas hostes tucanas.

Ao se manifestar livremente e rechaçar o oportunismo de políticos, a sociedade dá prova de amadurecimento, sinaliza sua profunda insatisfação com a classe e a necessidade de radicais transformações, talvez a começar pela reformulação do sentido, estrutura,  função e papel dos partidos políticos.

Artigos

Entre a estabilidade e o crescimento: o dilema dos juros no Brasil

O diagnóstico merece debate, mas reduzir a Selic por decreto ou a submeter a um conselho político não elimina os riscos de inflação, fuga de capitais e desvalorização cambial

05/11/2026 07h35

Artigo Correio do Estado

Artigo Correio do Estado

Continue Lendo...

Editorial

Chega de caixa-preta nos cofres estaduais

A estagnação no faturamento estadual ocorreu em um período em que as autoridades locais se vangloriavam do crescimento em ritmo chinês do Produto Interno Bruto (PIB) local

05/11/2026 07h20

Artigo Correio do Estado

Artigo Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).