Se a vontade popular for feita, a saída de Dilma será inevitável e questão de tempo que não se estenderá até 2018; Em relação a Bernal, tudo indica que 2016 ele irá se despedir da prefeitura.
A insatisfação da população com a gestão da presidente da República Dilma Rousseff (PT). O protesto do dia 13 de março foi a demonstração mais forte, até agora, de que não é necessário esperar até o período eleitoral para se exercer a democracia.
Em Campo Grande, impossível não fazer comparativo com a atuação desastrosa do prefeito Alcides Bernal (PP) e as consequências nefastas para o município que não se resolverão a curto prazo.
Por isso, é extremamente plausível que os índices de rejeição de ambos tenha subido drasticamente nos últimos meses. É a prova de que o eleitor está cada vez mais exigente consciente da responsabilidade que tem com o voto.
Dilma e Bernal foram eleitos com grande apoio popular. A primeira, no lastro do antecessor, o líder “paz e amor” Luiz Inácio Lula da Silva. O segundo, midiático, vendeu-se como novidade e renovação.
Nos dois casos, a receita que os levou à vitória não teve como ser sustentada. Dilma foi moldada para ser a cópia do mentor, mas saiu dos trilhos e conseguiu a façanha de causar rusgas políticas internas e acirrar a relação com a oposição.
Bernal, sem qualquer experiência administrativa, demonstrou incapacidade em dialogar com o Legislativo, estagnou a cidade ao suspender vários serviços e licitações com o argumento de que iria fazer uma varredura.
Os dois administradores são exemplo do que os sucessivos equívocos administrativos e total falta de traquejo político podem causar.
Na esfera nacional pesa ainda, com extrema gravidade, o maior escândalo de corrupção já visto no País e as consequências de política econômica sustentada no cenário internacional e que já vinha demonstrando enfraquecimento ainda na “era Lula”.
Os índices divulgados hoje no Correio do Estado sobre a rejeição ao governo Dilma, em Campo Grande, são reprodução inequívoca da insatisfação nacional.
O porcentual que considerava a gestão ruim ou péssima passou de 21,87% no ano da reeleição, em 2014, passou para os atuais 80,22%. Hoje, apenas 8,5% dos campo-grandenses consideram a gestão ótima ou boa.
Está cada vez mais evidente, até mesmo para os mais otimistas dentro do governo do PT, que o caminho presidencial está estreitando-se para o impeachment ou, quem sabe, renúncia, caso Dilma queira evitar, se ainda é possível, um desgaste maior.
No caso de Bernal, os que consideram a gestão ruim ou péssima, hoje, representam 49% da população. Há três meses, o índice já não era dos melhores: 30,50%. O resultado não poderia ser diferente. É pesaroso andar pelas ruas de Campo Grande e desviar de enormes crateras que formaram-se sem manutenção do asfalto.
Para completar o cenário, matagal em praças públicas, obras inacabadas, dando aspecto a capital do Estado a um cenário de guerra. Este foi o resultado desde a posse do Bernal, em que a disputa política entre Executivo e Legislativo ganhou espaço e a gestão pública foi abandonada.
Se a vontade popular for feita, a saída de Dilma será inevitável e questão de tempo que não se estenderá até 2018; Em relação a Bernal, tudo indica que 2016 ele irá se despedir da prefeitura, sem reeleição. A opinião popular mostra amadurecimento do eleitor, que está mais atento e que irá demonstrar, com o voto, o quanto aprendeu com os equívocos.