Equívocos foram cometidos por representantes que não dialogaram e nem se informaram suficientemente para cumprir suas obrigações.
Servidores municipais de Campo Grande saíram perdendo no dia marcado por confusões para aprovação de projeto de lei do Executivo, prevendo reajuste salarial de 9,57%, escalonado em maio e dezembro. A proposta foi rejeitada na Câmara de Vereadores. Agora, por tratar-se de ano eleitoral, não poderão receber acima de 2,79%, que equivale à reposição da inflação desse ano. A trapalhada resulta do despreparo dos vereadores e dos líderes sindicais, que não consultaram devidamente os prazos previstos na lei, desconhecendo o risco de prejuízo ainda maior. No ímpeto de acatar as reivindicações de parte dos funcionários que esteve na Câmara Municipal, agradando os servidores em ano eleitoral, os representantes do Legislativo esqueceram-se justamente de uma de suas principais atribuições: legislar. Assim, acabaram rejeitando o aumento mais alto às categorias.
Quem é responsável por elaborar as leis precisa conhecê-las. Com a “falha”, o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, põe a culpa nos vereadores e, assim, não precisar impactar tanto os cofres públicos já desfalcados. Afinal, é preciso considerar que por quatro anos seguidos o caixa da administração municipal vem fechando no vermelho e, durante o ano passado, a prefeitura não deu conta nem de quitar em dia os salários dos funcionários.
Os vereadores argumentam que não constava no projeto o impacto financeiro do reajuste proposto. Por isso, alegam que o prefeito agiu de má-fé, ao encaminhar proposta cheia de vícios jurídicos. Também reclamam que os percentuais relativos aos profissionais da saúde foram encaminhada de última hora. Os dois argumentos são válidos, mas, ainda assim, não eximem os vereadores do fato de não saberem sobre os riscos de não votarem a proposta no último dia de prazo. Não houve qualquer tentativa de propor emendas para corrigir os eventuais equívocos de Bernal.
A falta de diálogo com a Câmara sempre marcou a gestão de Bernal. Desta vez, a comunicação falha voltou a ser determinante para o prejuízo aos servidores. Vereadores e sindicalistas, em nenhum momento, argumentaram que o reajuste poderia ser menor caso não aprovassem o projeto na terça-feira. Os representantes das categorias preocuparam-se mais em fazer barulho, apelando até para oradicalismo e paralisações,mas esqueceram-se de consultar as legislações e dialogarem pensando na melhor proposta. O presidente do Sindicato dos Servidores de Campo Grande, Marcos Tabosa, terá de explicar por que não anteveu esse prejuízo ainda maior aos funcionários. Afinal, a entidade que se dispõe a representar servidores precisa ter preparo jurídico, embasamento e argumentos para negociar. Atributos muito mais importantes do que organizar mobilizações e empenhar-se em fazer discursos durante manifestos.
Agora, pode restar apenas a chance de que os professores consigam aumento maior, já que sem o reajuste de 11,36% o prefeito estaria descumprindo lei federal. No entanto, a batalha judicial parece inevitável. Está devidamente comprovado que uma sucessão de erros resultou em graves prejuízos aos servidores, que ficarão com reajuste mais baixo neste ano. Despreparo que parece inacreditável! Equívocos foram cometidos por representantes que não dialogaram e nem se informaram suficientemente para cumprir suas obrigações.