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Confira o editorial deste domingo: "Respostas do mercado"

Confira o editorial deste domingo: "Respostas do mercado"

Redação

10/04/2016 - 03h00
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Pouco espera-se de um governo que, no momento, parece mais preocupado em barganhar votos em troca de cargos.

A nefasta combinação de desemprego, estagnação de investimentos e aumento de produtos forçou o brasileiro a mudar hábitos. Nesse momento, é preciso economizar para sobreviver à crise. Um dos principais indicadores desse “novo comportamento” - forçado pela recessão - está na redução do consumo. Em Mato Grosso do Sul, no primeiro bimestre deste ano, o volume comercializado de etanol caiu 36,5%. Não se trata apenas de uma substituição na hora de economizar, pois, no mesmo período, a venda de gasolina cresceu apenas 3,88%. O mesmo ocorre em outros setores. Famílias adiaram a compra de determinado eletrodoméstico, a troca do carro e até alteraram escolhas de marcas para tentar alcançar o equilíbrio financeiro.

Essas mudanças afetam diretamente o setor industrial e o comércio. Com menos demanda, a produção é reduzida e, por fim, tivemos o resultado desastroso do ano passado com 1,5 milhão de vagas de emprego fechadas. Infelizmente, no atual cenário, o recuo na inflação oficial ainda não pode ser muito comemorado. Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 0,43%, influenciado pela baixa no preço das contas de energia elétrica. 

Houve a mudança da bandeira vermelha para a amarela, em razão do desligamento das termelétricas, que produzem energia mais cara que as hidrelétricas. Entretanto, há de se mensurar que os consumidores já estavam pagando a taxa extra há mais de um ano. Agora, no mês de abril, entra em vigor a bandeira verde, com redução ainda mais significativa. Mas, também passou a valer o reajuste da tarifa de energia de 7,4%. Ou seja, no final o consumidor pode não sentir tanto essa nova diferença no bolso.   

A ponderação acerca da queda da inflação também tem outras motivações. O recuo no consumo influencia para conter o aumento de preços de determinados itens. Basta aplicarmos a velha conhecida Lei da Oferta e Procura. Quanto mais alto estiver o preço de determinado produto, menos pessoas estarão dispostas a comprá-lo. No caso dos itens considerados insubstituíveis e com o poder de compra reduzido, foi preciso elencar prioridades e buscar economia no cotidiano.  Assim, explica-se a redução no consumo de combustíveis e até mesmo  no de energia, com retração de 5,1% em fevereiro no País.

A tendência é que, por enquanto, os consumidores mantenham a cautela. A instabilidade política - diante da possibilidade cada vez mais próxima da abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff - tem influência direta no mercado financeiro e na retração aos investimentos. Por enquanto, muitos continuam com o “pé no freio” antes de tomar decisões. Há ainda o agravante do contingenciamento de recursos federais e da estagnação dos projetos, diante dos poderes Executivo e Legislativo centrados nessa crise política sem precedentes, marcada por escândalos. 

    Pouco espera-se de um governo que, no moento, parece mais preocupado em barganhar votos em troca de cargos. Há urgência de soluções na política para que também ocorram resultados positivos no campo econômico. Aí sim, quem sabe, voltaremos a ter indicadores a serem comemorados.  
 

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