Artigos e Opinião

OPINIÃO

Marco Aurélio Borges de Paula: "Corrupção: a lógica da confusão"

Advogado, mestre em Direito e especialista em Compliance Anticorrupção

Redação

11/04/2016 - 02h00
Notícia sem imagem

R$ 200 bilhões! Esse é o número da ONU que nos dá conta do prejuízo que sofremos, anualmente, no Brasil, com a grande corrupção.

Trata-se de um assalto gigantesco aos cofres públicos viabilizado por poderosas relações de compadrio entre agentes públicos e empresários que fazem de tudo para obter do Estado, de forma ilegal, pessoal, imoral e secreta, os mais variados favores e privilégios. 

Nessa cena, nada importa além do dinheiro, de modo que, se um empresário estiver disposto a pagar para ganhar um contrato governamental e um agente público, em posição de poder, se dispuser a vendê-lo, será feito o negócio, bastando apenas acordarem o preço para que ambos sejam igualmente beneficiados (utilidade recíproca). 

Portanto, esse agente fará do seu ofício um negócio como outro qualquer, cuja renda ele deseja maximizar.

Deveras, aqui não há lugar para quaisquer motivações não econômicas, como a amizade, a não ser que esta seja o meio para se obter o dinheiro, caso em que será criada ou fortalecida.  Não é isso que vemos em nosso país? Pois bem. Dessa inescrupulosa relação entre “amigos” deriva o chamado capitalismo de compadrio.

Ocorre que esse degenerado capitalismo se revela extremamente prejudicial ao potencial econômico da nossa sociedade, a julgar pela quantidade e qualidade de recursos produtivos que se perde, como sejam os recursos humanos.  

Isso porque, para além de antiético e criminoso, esse capitalismo é, na sua essência, ineficiente. Ora, aqui não há competição, logo, não há incentivo para que a empresa busque a eficiência e, por conseguinte, a meritocracia. Por que um empresário fará investimentos na formação de técnicos e engenheiros se um agente público “amigo” pode enriquecê-lo com um contrato milionário?

O sucesso, nestas bandas, advirá mais da “amizade” com o agente público (quem se conhece) do que de idéias brilhantes e eficiência produtiva daí decorrente (o que se conhece).

Segundo a lógica dessa confusão, mais vale um “amigo” incompetente, conquanto monetariamente útil, do que um “inimigo” competente, porém econômica e funcionalmente inútil.

Com efeito, nesse processo de monetarização de toda a prática social, mesmo política, não há espaço para os empresários mais inovadores, eficientes e socialmente responsáveis que, ao invés de se dedicarem a atividades aéticas e/ou ilegais, preferem investir tempo e recursos em fontes de vantagem competitiva, como, por exemplo:

(a) em funcionários talentosos e com sólida qualificação;

(b) em softwares que aperfeiçoem as atividades da cadeia de valor;

(c) em um programa de compliance efetivo que previna, detecte e puna condutas antiéticas e/ou ilegais; ou, ainda,

(d) em pactos de cooperação com outras empresas, a fim de se promover um ambiente de integridade nos negócios com o governo.

Você, prezado leitor, investiria seu tempo e dinheiro onde não lhe fosse dado condições de igualdade para competir, onde você fosse ultrapassado por um concorrente menos competente?

Em geral, a resposta será negativa, pois poucos estarão dispostos a tomar iniciativas econômicas de vulto em um ambiente inóspito, apinhado de práticas protecionistas e monopolistas, em que só os generosos “amigos do Rei” conseguem prosperar. Ao fim e ao cabo, o capitalismo de compadrio contém em si toda a receita para a ruína econômica e social:

“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada” (Ayn Rand).

Artigo

A vingança da natureza promete ser terrível!

As florestas tropicais, como a Amazônia, as florestas da África Central e as do Sudeste Asiático, desempenham papel fundamental para o equilíbrio climático do planeta

06/11/2026 07h30

A vingança da natureza promete ser terrível!

A vingança da natureza promete ser terrível! Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

Editorial

Aversão à vigilância da atividade policial

Se não existe procedimento padrão seguro dentro das delegacias, que dirá fora delas

06/11/2026 07h20

Aversão à vigilância da atividade policial

Aversão à vigilância da atividade policial Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).