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Correio do Estado

Confira o editorial deste domingo: Guerra declarada

Confira o editorial deste domingo: <br>Guerra declarada

Redação

17/04/2016 - 03h00
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Até agora, apesar dos esforços dos defensores de Dilma, os placares indicam vitória dos que estão favoráveis ao impeachment.

Neste fim de semana, todas as atenções do País estão voltadas para a Câmara dos Deputados, em especial para o dia de hoje, quando deve ser iniciada a votação do processo de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff. Um a um, os parlamentares revezam-se em discursos acalorados, contra ou a favor do afastamento, mais de 200 desde que a análise começou. É interessante verificar que há vozes dissonantes dentro dos partidos, o que dá margem a esperança dos governistas, que ainda tentam reverter o fatídico cenário que se desenha, em uma guerra nunca vista nos bastidores do Congresso. Porém, é difícil crer que seja possível mudar a franca vantagem dos pró-impeachment, a poucas horas da votação final. 

A abertura dos trabalhos foi marcada pelos discursos do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo e do jurista Miguel Reale Jr., um dos autores da denúncia contra Dilma. Comparando a apresentação dos dois,  é visível a falta de argumento que sustente a manutenção da presidência. Cardozo preferiu ter como alvo o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, dizendo que o ato comandado por ele  está sendo feito em “retaliação ao PT”, já que o partido teria negado votos contra abertura do processo de cassação de Cunha. Reale preferiu centrar forças nas pedaladas fiscais,  dizendo que a medida levou a gastos sem autorização do Congresso, o que seria “crime de falsidade ideológica” e que a estratégia kamikaze deixou o País no cheque especial. 

Mesmo a presidente, em seu discurso que circulou nas redes sociais, não foi mais convincente. Dilma classificou o processo como “aventura golpista” e “fraude jurídica e política”. A defesa dela foi atacar a oposição dizendo que eles iriam impor sacrifícios à população brasileira, cortando programas sociais como Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, além de entregar os recursos do pré-sal às multinacionais estrangeiras. Temer rebateu dizendo que o argumento é “mentira rasteira” e que, caso tome posse, os projetos citados pela presidente seriam mantidos. Os boatos de terror são tentativa de cooptar apoio popular, principalmente entre aqueles que já foram a principal base de apoio do PT, as famílias de baixa renda. O objetivo era de veicular o pronunciamento em cadeia nacional, mas a ideia foi descartada depois que o partido Solidariedade entrou com ação na Justiça Federal.

A guerra travada entre governistas e oposicionistas é acirrada. Partidos de oposição anunciaram que iriam à Polícia Federal denunciar a troca de favores e cargos por votos, o que seria claro indício de esquema de corrupção. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconhece que o clima é de Bolsa de Valores. Até agora, apesar dos esforços dos defensores de Dilma, os placares indicam vitória dos que estão favoráveis ao impeachment. A votação está prevista para começar às 13h (horário de MS) de hoje, segundo comunicado de Eduardo Cunha, que manteve o horário, mesmo com atraso na sessão de discursos dos partidos. Hoje será colocada à prova o esforço concentrado de opositores e governistas.

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