Muitos comemoraram o sim pronunciado pela maioria dos deputados, como grito de esperança de mudanças e de punição das condutas equivocadas.
Os dias de angústia vivenciados pelos brasileiros estão longe de acabar. Ainda haverá longa etapa até a reconstrução que o País tanto precisa para retomar o crescimento econômico ou para resgatar a moralidade e confiança dos brasileiros, dilaceradas pelas denúncias de corrupção na política. A aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, pela Câmara dos Deputados, é encarada por muitos como o primeiro passo. Vestidos com as cores verde e amarelo, muitos comemoraram o sim pronunciado pela maioria dos deputados, como grito de esperança de mudanças e de punição das condutas equivocadas, que tanto lesaram nossa nação.
Agora, o futuro da presidente está nas mãos dos senadores, que terão de abrir comissão para analisar a denúncia. Aí então, caso ocorra a aprovação do processo pelo Senado, Dilma será afastada do cargo por 180 dias, período em o presidente do Supremo Tribunal Federal passará a conduzir os trabalhos para interrogatórios e apresentação de provas. Nesse tempo, já assume o vice Michel Temer. Independente do desenrolar final dos fatos, não há dúvidas de que se trata de algo traumático, que gera inconformismos e contribuiu significativamente para a divisão de opiniões entre os brasileiros, agravando clima de hostilidade. A tempestade deve demorar a passar e espera-se esforços concentrados para que o bom senso prevaleça.
Para a maioria dos brasileiros - conforme demonstrado em pesquisas de opinião ou até no público durante os protestos nas ruas - trata-se de algo necessário. O processo de impeachment foi aberto com base jurídica por conta das pedaladas fiscais cometidas. Em discurso na sexta-feira, o jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido, declarou que a presidente cometeu um golpe ao mascarar que o país estava quebrando, continuando com imensos gastos públicos, valendo-se de empréstimos de entidades financeiras. Assim, muitos brasileiros sentiram-se enganados depois que passou o período da eleição e acompanharam a inflação nas alturas, o desemprego batendo recorde e várias empresas tendo de fechar as portas. O cenário todo foi agravado pelos sucessivos escândalos descobertos durante a Operação Lava Jato, com significativos desfalques aos cofres da Petrobras, num esquema incontestável e inimaginável de corrupção.
A junção de todos esses fatores levou milhões de brasileiros a conclamarem o pedido de basta do atual Governo, com protestos grandiosos em todos os estados do País. Por mais que a decisão da Câmara esteja amparada em fundamentos jurídicos, há de se considerar que a vontade popular - decorrente da decepção com a inépcia administrativa ou com as denúncias do esquema de propina - contribuíram para o resultado. Todo os episódios lamentáveis, porém, parecem não ter sido suficientes. Ilegalidades e imoralidades continuaram predominando, dos dois lados da disputa, durante a guerra por votos dos deputados, em negociatas que incluíram cargos e dinheiro. A oposição recorreu à Polícia Federal para denunciar os crimes. Fica a sensação que ainda estamos longe das transformações necessárias, pois interesses particulares continuam a predominar.
Teremos pela frente outros dias decisivos e desafios que precisarão de empenho e união para serem superados, em nome de mudanças que precisam se sobrepor a questões partidárias.