Sabotagem, perseguição, conspiração política. O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, ainda não conseguiu livrar-se dos “fantasmas” que o assombram desde que assumiu seu mandato. Novamente, veio apresentar esse tipo de suposições. Desta vez, ao comentar sobre os três Centros de Educação Infantil (Ceinfs) e uma escola municipal que foram alvos de vândalos neste fim de semana. Talvez, acredite tratar-se do mesmo grupo que estaria abrindo buracos nas ruas de Campo Grande durante a madrugada, hipótese inusitada apresentada em novembro do ano passado.
Já tornaram-se frequentes essas declarações de Bernal atribuindo crimes a inimigos políticos, sem citar nomes. No entanto, por enquanto, nada avançou para além da imaginação do prefeito. Não houve, por exemplo, qualquer flagrante de pessoas com picaretas quebrando as ruas da cidade. Sabe-se, porém, que ocorreu evidente desleixo, seja pela operação tapa-buraco suspensa durante meses ou pelo serviço malfeito, justamente no período de chuvas. Além disso, a fiscalização continuou falha. Agora, as investigações sobre os ataques a Ceinfs e escolas ainda estão começando. Alimentos, eletrodomésticos e outros objetos foram furtados dos locais. Os autores do crime também destruíram móveis, portas e chegaram a queimar colchões e salas de aula.
Lógico que causa estranheza o fato de três Ceinfs terem sido invadidos em pontos completamente distintos na cidade numa mesma tarde: Vila Margarida, Jardim Noroeste e São Conrado. Mas, é prematuro tentar relacionar esses fatos com motivações políticas sem quaisquer evidências. Mesmo assim, durante entrevista concedida ontem, Bernal declarou que “existem forças interessadas em causar uma instabilidade em Campo Grande”. Reforçou a afirmação ainda de que “tudo é possível, quando o ambiente político eleitoral desce o nível. Não se pode mais dimensionar onde se pode chegar”. Declarações fortes, mas completamente vagas.
Quem seriam esses políticos que estariam ordenando ataques? Os eleitores, sem dúvida, querem saber. Talvez, até a polícia queira uma pista para tentar desventar a série de crimes cometidos contra a administração municipal por perseguição política. Mas, até agora, nada comprovado. Esse tipo de declaração, inclusive, transformou-se até em comodismo para Bernal. Diante de denúncias sobre falta de merenda, atraso na entrega de materiais escolares, obras inacabadas ou dívidas com fornecedores, por diversas vezes, o prefeito afirmou que tudo não passava de intrigas da oposição com intuito de prejudicá-lo.
Na verdade, estamos diante de um grave problema acerca da dificuldade de enxergar as próprias falhas e tentar corrigi-las. Afinal, parece muito mais fácil colocar a culpa nos outros. Os recentes ataques de vandalismo a escola e Ceinfs poderiam ser evitados se houvesse a presença de guardas municipais nos estabelecimentos, displicência que parece ter sido ignorada. Talvez, essa seja uma das consequências de terem delegado novas atribuições a esses profissionais, que passaram a aplicar multas de trânsito e realizar abordagens, sem novas contratações para cumprir todas as atribuições. Segue-se, portanto, o mesmo discurso já repetido em outras ocasiões e que não levou a qualquer comprovação. Não há credibilidade em acusações constantemente repetidas e jamais comprovadas. Seria mais produtivo e benéfico à população tentar corrigir as falhas de segurança ou aprimorar o tapa-buraco. Com mais trabalho, certamente, a instabilidade diminuiria.