Os avanços podem ser considerados pontuais em vista do cenário geral. Em Campo Grande, março manteve a retração, com saldo negativo de 370 empregos.
Um dos efeitos mais nefastos da crise econômica sentido pela população é o aumento da taxa de desemprego. É quando os números relatados por economistas e empresários sobre a queda no investimento e no faturamento do mercado interno traduzem-se em filas de pessoas no Ministério do Trabalho em busca do seguro-desemprego.
O cenário atual já era panorama previsto em 2015 e a tendência, a médio e longo prazo, é que os índices negativos mantenham-se. Como o foco do governo federal atualmente é político, com forças voltadas para tentar evitar o impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff, dificilmente haverá alteração neste quadro.
Para Mato Grosso do Sul, de acordo com dados do Ministério do Trabalo, o mês de março teve aspecto positivo, com saldo de 187 empregos assinados na carteira, crescimento de 0,04% em relação ao estoque do mês anterior. As maiores contribuições foram os registros em serviços (787 potos) e agropecuária (384), o último, fortemente influenciado pelo período de colheita da safra e plantio da safrinha.
Os avanços podem ser considerados pontuais em vista do cenário geral. Em Campo Grande, março manteve a retração, com saldo negativo de 370 empregos.
Em todo o Estado, nos últimos dozes meses, houve redução de 2,19% no nível de emprego, o que representa 11,5 mil postos de trabalho a menos. Se for considerado recorte nacional, de dezembro do ano passado a fevereiro de 2016, o País alcançou a indesejável marca de 10,3 milhões de desempregados, conforme informações do IBGE.
Os indicadores apontam para a manutenção da deterioração do mercado de trabalho. Levantamento feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), feito em janeiro, mostra-se cada vez mais atual, indicando “queda severa” nos índices de contratações.
Este ano, o País será responsável por um a cada três novos desempregados no mundo. Pelos dados da OIT, serão 2,3 milhões de postos de trabalho encerrados, sendo 700 mil somente no Brasil. O mercado brasileiro responderá por mais de um terço de todo o desemprego latino-americano. Muitos trabalhadore já estão apelando para a informalidade, aumentando o contingente de subempregados.
Com a piora da economia, a taxa de desocupação deve demorar a arrefecer. Embora haja tímida melhora na perspectiva de alguns índices, como o do PIB, por exemplo, o crescimento da atividade econômica ainda será modesto ante os porcentuais decorrentes da retração.
Segundo a OIT, a crise, agora, está relacionada diretamente aos países emergentes, como Brasil e China, diferentemente de outros anos, que estava atrelada a problemas financeiros nos EUA e Europa. Naquele relatório, a organização já apontava para o risco de revolta social caso os números continuassem negativos.
Alia-se a isso aos escândalos de corrupção descobertos a partir da Operação Lava Jato, temos a receita da bomba que explodiu sobre o país. As filas de desempregados em busca do seguro-desemprego ainda serão recorrentes.