Ciclo que parece interminável e jamais será interrompido se o Governo Federal continuar desdenhando a necessidade de fechar as fronteiras.
Cidades de Mato Grosso do Sul, situadas em regiões fronteiriças, têm sido frequentemente usadas como base por traficantes de drogas e armas. Quase sempre, quando organizações criminosas são desarticuladas pelas polícias de outros estados, mandados de prisão também acabam sendo expedidos para prender no Estado os responsáveis por enviar os produtos ilícitos, adquiridos no Paraguai e Bolívia. Evidência explícita da necessidade de combater essas ilegalidades na origem, reforçando a fiscalização nas fronteiras, que continuam escancaradas para a criminalidade.
Somente ontem, foram desarticuladas duas quadrilhas. Um dos grupos agia na região norte de Minas Gerais e contava com ramificação em Iguatemi, no sul do Estado. Os criminosos teriam, em dois anos, comercializado cerca de 48 toneladas de maconha e cocaína. Além do tráfico, também promoviam grandes assaltos, sempre armados com fuzis e usando até falsas viaturas. Outro bando vendia os entorpecentes no Rio Grande do Sul e contava com comparsas em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. Recentemente, no mês passado, foram deflagradas ações semelhantes com ramificações nas cidades de Antônio João e Coronel Sapucaia.
Mesmo com tantos casos gritantes, que demonstram como o tráfico domina nas regiões fronteiriças, o Governo Federal permanece na inércia e não investe suficiente. Veículos continuam entrando no Brasil com drogas e armas, contribuindo para aumento geral da criminalidade. As operações policiais, por mais que sejam necessárias e precisassem ser ampliadas, acabam cumprindo a função de “enxugar gelo”. Em pouco tempo, outros integrantes da quadrilha voltam a se articular e continuam cometendo os mesmos crimes normalmente. Em alguns casos, até os antigos criminosos continuam agindo mesmo atrás das grandes, pois celulares já se tornaram artigos usados habitualmente por muitos detentos.
Infelizmente, o descontrole administrativo do Governo Federal “contamina” diversos setores que dependeriam de serviço público mais eficiente. É o que acontece na área da segurança. A crise econômica, resultante dos diversos equívocos de gestão do Governo Dilma Rousseff, forçou o contingenciamento de verbas e investimentos foram suspensos. Assim, programas importantes, a exemplo do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) ainda não demonstraram resultados práticos. Serviu de modelo apresentado a embaixadores árabes, mas está longe de ser a referência e executar as atribuições esperadas pelos brasileiros.
Fiscalização precária e insuficiente nas estradas, investigações que não chegam aos verdadeiros chefes do tráfico e falta de investimentos em pessoal ou aparato tecnológico para vigiar nossas fronteiras. Resumem-se, assim, as deficiências que permitem às quadrilhas repetirem ações semelhantes para perpetuarem seus feitos criminosos durante anos. Um ciclo que parece interminável e jamais será interrompido se o Governo Federal continuar desdenhando a necessidade de fechar as fronteiras para o crime. Os estados, principalmente Mato Grosso do Sul, não têm condições de combater todas essas irregularidades e ainda cuidarem da segurança dentro das cidades. De um lado ou de outro, o cidadão acaba prejudicado e a criminalidade com mais armas para vencer a batalha.