A decisão do Senado da República declarando o impedimento por até cento e oitenta dias da senhora presidente abre um pedido probatório para atestar o que já está de uma clareza adamantina, ou seja, de que foi violada por ela a legislação vigente quanto à obrigatoriedade do zelo às normas fiscais, missão inarredável do agente público supremo da nação.
Certa vez, Getúlio Vargas – personagem marcante das primeiras décadas do século passado, cujo governo de aproximadamente quinze anos, em sua grande parte marcado por ferrenha ditadura onde não se vislumbrava a luz da liberdade, muito menos a voz rouca das ruas – dirigente zeloso pelo dinheiro público, justiça se lhe faça, deixou registrado: “É preciso sacudir com força as árvores, a fim de caírem as folhas secas”. Um de seus opositores de feroz coragem, carbonário como nenhum outro neste país, o jornalista Carlos Lacerda, afirmara sobre Vargas: “Eu não derrubo presidentes. Eles caem como os frutos maduros”.
A lembrança do que disseram Getúlio e Lacerda, vultos inesquecíveis de uma época de políticos de outra cepa, razão de sua recordação até hoje, de ideias conflitantes, mas que não se pode negar-lhes o sentimento patriótico de suas vidas, um de arroubos eloquentes, outro de rapozismo inteligente, fizeram-me considerar as recentes decisões do Congresso Nacional – Câmara dos Deputados e Senado da República – que a senhora presidente com seus atos discricionários feriram a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Carta Magna, envelhecendo sua autoridade, tornando-se tal como uma folha seca, ou um fruto maduro, daí porque caiu.
Das pedaladas fiscais, do desrespeito ao dever constitucional ao autorizar a abertura de créditos suplementares sem autorização congressual, provam à mancheias a infecção à economia nacional e a desorganização da máquina governamental, levando o país a uma catástrofe que se aproxima de um abismo econômico e social que não se conhecia dantes: desemprego, estagnação da força produtora, desconfiança popular nos governantes e nos políticos.
A presidente impedida de exercer as funções de primeiro magistrado da nação, encurralada nos limites do Palácio da Alvorada, que constitui uma regalia assistida por inúmeros e despeitados assessores, prepara-se para uma revanche, num cavil para provocar a desordem, semear a discórdia entre seus concidadãos na afirmação esdruxula e provocante, naturalmente desejando repetir aquela famosa do general Mac Arthar, que ufano disse: “I’m going back”...
O governo interino do presidente Michel Temer, recém iniciado, está consciente das imensas dificuldades da herança “ultra maldita” que recebera, na última quinta-feira, dia 12 de maio. Sepultar tais restos mortais de uma administração inconsequente não será uma missão de apenas 180 dias. Creio, nada obstante a composição ministerial não ter o aplauso geral da opinião pública,constitui uma obra de engenharia política imprescindível no momento para vencer algumas barreiras ocultas existentes no edifício do Congresso Nacional, objetivando obter dele decisões imprescindíveis quão inadiáveis para recolocar em linha segura a máquina governamental do Estado.