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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Equívocos ignorados"

Confira o editorial desta terça-feira: "Equívocos ignorados"

Redação

24/05/2016 - 03h00
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Já havia o prenúncio do descrédito na escolha da equipe, mas Temer ignorou os problemas e riscos no momento em que o País mais precisava de acertos.

No dia 13 de maio, o Correio do Estado trazia a seguinte manchete: “Descrédito marca ministério de Temer”, em referência às escolhas temerosas e equivocadas feitas pelo presidente interino Michel Temer, na definição dos nomes que irão comandar o País, com foco principal na luta contra os desacertos econômicos e a corrupção na política. Dos 23 nomeados no dia seguinte ao afastamento de Dilma Rousseff, sete são alvos da Operação Lava Jato. Agora, novas revelações mostram comprometimento ainda maior de um dos integrantes de sua equipe. O ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), aparece em conversas particulares gravadas com o ex-presidente da Transpreto (uma das subsidiárias da Petrobras), Sergio Machado, falando sobre pacto para tentar deter o avanço das investigações, conforme revelou o jornal Folha de S. Paulo. Sugere delimitar e “estancar essa sangria”,  ao comentar os desdobramentos da apuração.

Jucá figura entre as “maças podres” do novo ministério. Ele é investigado na Lava Jato e na Zelotes, que apura esquema de propina no Conselho de Administração de Recursos Fiscais, responsável por julgar recursos de empresas multadas pela Receita Federal. Ontem, Jucá disse que conversou com o presidente interino, declarou que não via motivo para sair do cargo,  considerou que as gravações não o comprometem e alegou não ter medo de ser investigado. Momentos depois, diante de enxurrada de críticas, afirmou que se licencia hoje do cargo para aguardar que o Ministério Público Federal manifeste-se sobre os áudios.

Infelizmente, os brasileiros têm a sensação de reprise do que ocorreu no governo petista, vendo fatos repetirem-se pela insistência dos gestores em  agradar os aliados, apanágio que parece sobrepor-se às reais exigências para definir quem irá ocupar os principais cargos do País. Michel Temer perde a primeira chance de mostrar sua pretensão de governar de forma diferente e afunda ainda mais as perspectivas do que apelidou de “governo de salvação nacional”. Poderia ter evitado tamanho desgaste com opções mais sensatas, tentanto distanciar ao máximo sua gestão do deplorável capítulo de corrupção que marcou o Governo de Dilma Rousseff, com graves desfalques aos cofres da Petrobras. 

Jucá deixa o cargo, mas permanecem outros ministros também envolvidos em graves suspeitas. Seria oportuno aproveitar o momento e eliminar os nomes alvos de investigações. Afinal, a credibilidade do Governo - e de políticos em geral - já está excessivamente desgastada. Temer contraria o que disse em seu primeiro discurso de posse, quando fez a seguinte afirmação: “minha primeira palavra ao povo brasileiro é confiança”. É algo essencial hoje para a fragilizada economia, que também sofreu os impactos da crise política. O País precisa retomar o crescimento, voltar a gerar oportunidades para que os 11 milhões de desempregados tenham esperança de reverter o atual cenário de dificuldades. São missões que dependiam da pasta comandada por Jucá, a exemplo da aprovação da nova meta fiscal. 

Já havia o prenúncio do descrédito na escolha da equipe, mas Temer ignorou os problemas e riscos no momento em que o País mais precisava de acertos. Os brasileiros já pagam preço alto pelos equívocos cometidos por gestores e pelas falcatruas que desviaram milhões da Petrobras. Não querem e não merecem ver a repetição desses problemas. Já foi dado o grito de basta e não há mais tolerância para a corrupção.  
 

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