Artigos e Opinião

ARTIGO

Luiz Fernando Mirault Pinto: "A antiga nova ordem"

Físico e administrador

Redação

29/05/2016 - 02h00
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Com a palavra de ordem dirigida a todos os meios de comunicação especialmente a Rede Televisiva Oficiosa e suas “concorrentes news” – “Não vamos mais falar em crise” alertou o Vice, são águas passadas. Instantaneamente como num milagre o teor do noticiário mudou: o dólar baixou, a inflação recuou, os juros se ajustaram ao mercado, a bolsa subiu, o grau de investimento aumentou, as taxas de desemprego caíram, e as filas da vacina sumiram!

 Propagandas de montadoras, celulares, apostas na Caixa são incentivadas, viagens, e a CPMF como salvação, surgiam na telinha.

O lema ufanista escolhido para marcar o governo “provisório” pertence a bandeira: Ordem e Progresso, idéia positivista (A. Comte) que buscava harmonizar os ideais republicanos: garantias sociais, respeito aos direitos individuais e coletivos adquiridos, empregos e salários dignos reivindicados pela plebe revolucionária cujos direitos e bem estar eram idealizados por uma burguesia exploradora reforçando as crenças no determinismo, na hierarquia, na obediência, e num governo de elite intelectual. 

Essa expressão filosófica de origem francesa, em síntese se propunha explicar conceitual e anacronicamente pelas ciências exatas, os fenômenos sociais, tentando enaltecer a manutenção da ordem das contestações sociais da época (revolução francesa), defendendo um Estado laico e machista reprovando a participação feminina nas atividades econômicas e políticas. Atualmente esse pensamento “démodé”, ultrapassado, retrógrado, embora xenofobicamente venerado por alguns fascistas de plantão por coincidência volta à atualidade. 

A ordem, hoje deve ser interpretada como justiça social e o progresso como economia sustentável. No entanto para o termo – ordem, herdado, se subentende que não haveria mais espaço para as reivindicações sócio políticas, interesses conflitantes entre classes, protestos e radicalizações, manifestações grevistas e boicotes e que conceitualmente na visão da esquerda tudo deveria estar estaria acordado quanto às demandas sociais – justa distribuição de renda e igualdade de direitos. O pensamento da direita ainda se baseia numa ordem que se refere à paz social urbana e no campo, à produção, ao capital e ao lucro, desde que as insatisfações fossem contidas em limites restritos por ela idealizados de modo à freiar as absurdas idéias sócio-revolucionárias (comunismo)em voga na época, mas que ainda reina e assusta cabeças com má formação cidadã.

A palavra progresso, quando definida pelo “capital” se refere ao econômico e o seu crescimento irracional, a ponto de colocar o planeta em risco, onde os meios justificam os fins, como o fim do mundo, o que difere de sustentabilidade. A tecnologia que deveria estar voltada a sobrevivência do homem, ao seu bem estar e a garantia de futuro, o faz com essa intenção, mas por vias transversas ao promover a riqueza por meio do desrespeito ao meio ambiente, com desmatamentos, poluição, exploração desenfreada dos recursos hídricos e minerais não renováveis, projetos de assentamentos urbanos em detrimento da fauna e flora local pré-existente, apagando do mapa as espécies remanescentes, até que o próprio homem seja eliminado.

O excesso de organização, desorganiza, engessa a criatividade, atrapalha o planejamento e dificulta o controle. O progresso só se produz na desordem, como numa cozinha, onde a comida resulta da “bagunça das panelas” ou nos escritórios, com a desordem “da papelada”. 

A Física diz: a entropia é a medida de desordem das partículas e que a tendência natural dos sistemas (políticos, econômicos, ambientais, sociais) se desordenarem espontaneamente, ou seja, transformar em desordem crescente, uma situação anterior de ordem. O progresso, como mudança de estado, é resultado da desordem, ou seja, com ordem, não existe a mudança. “Todo progresso tem como meta a entropia” (G. A. da Silva) 

Existe um momento em que a ordem não se coaduna com o progresso, que é justamente esse, em que o País cresceu e progrediu em meio à desordem e cujas etapas foram agora irresponsavelmente interrompidas, justo porque não se tem o conhecimento de que os sistemas dispersos ou dissipativos tendem a se auto-organizar, sem a interferência externa (exceção da Lava Jato e das escutas telefônicas), portanto a nova ordem é que deixemos esse chamamento de Ordem e Progresso apenas para a bandeira que no momento encontra-se provisoriamente a “meio-pau”.

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