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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Farinha do mesmo saco!"

Confira o editorial desta terça-feira: "Farinha do mesmo saco!"

Redação

07/06/2016 - 03h00
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Temer nomeou sete ministros investigados e viu-se em situações embaraçosas ao ter três deles mencionados em recentes escândalos.

A corrupção parece não ter fim. Essa é a impressão da maioria dos brasileiros diante das expectativas frustradas com o Governo de Michel Temer, desde que assumiu e divulgou os nomes dos seus novos ministros. Suas palavras de retomar confiança e credibilidade rapidamente dissiparam-se e transformaram-se em descrédito com as denúncias contra aqueles que escolheu para auxiliá-lo na difícil missão de recuperar o País, castigado pelas crises política e econômica. Revelações da Lava Jato envolvem políticos de diferentes partidos em esquema de desvio de verbas e acabam levando os brasileiros a inferir “tudo farinha do mesmo saco” - desde a presidente da República afastada Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara Eduardo Cunha e, incluem-se, as escolhas equivocadas de Temer. 

    O presidente da República em exercício perdeu a chance de tentar mostrar que faria algo diferente. Volta a repetir erros de sua antecessora, mesmo depois das inúmeras críticas e do recorde de rejeição popular. Os mais recente escândalo envolve o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves. Em pedido de abertura de inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot,  afirma que o ministro autou para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS. Parte do dinheiro teria abastecido a campanha de Alves ao Governo do Rio Grande do Sul em 2014, quando acabou derrotado. Ele também já tinha ocupado esse mesmo cargo na gestão de Dilma Rousseff. 

    O curto tempo de Temer a frente do Governo já teve dois desfalques, decorrentes de irregularidades envolvendo integrantes de sua equipe. O primeiro a cair foi o senador Romero Jucá, que ocupava o Ministério do Planejamento e pediu demissão depois de serem divulgados áudios com o ex-presidente da Transpreto, Sérgio Machado, sugerindo pacto para barrar a Lava Jato. Na sequência, gravações comprometedoras envolveram o ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, que também fez críticas à operação e deu orientações sobre estratégias de defesa ao presidente do Senado, Renan Calheiros. Por último, houve confusão com o chefe da Advocacia-Geral da União, Fábio Osório, que deu “carteirada” em oficiais da Aeronáutica e deixou de fazer defesa do Governo ao Supremo. 

    Temer nomeou sete ministros investigados e viu-se em situações embaraçosas ao ter três deles mencionados em recentes escândalos. Por isso, precisou repetir diversas vezes que sua gestão não vai interferir na Lava Jato, frase que destoa das ações de sua equipe na prática.  Os desacertos acabam prejudicando todos os brasileiros e dificultando ainda mais as chances de tentar assegurar credibilidade, algo tido como essencial para retomada de investimentos. Tanto que editorial de ontem do jornal americano The New York Times aponta que a promessa de Temer em acabar com a corrupção  parece vazia, fazendo referência à ficha-suja dos ministros e as intenções de ministros em atrapalhar as investigações da Lava Jato. Isso demonstra dificuldade ainda maior para resgatar a deteriorada confiança no Brasil, que continua massacrada pela corrupção.  

 

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