Se, de fato, as organizações PCC e CV assumirem a produção de entorpecentes do outro lado da fronteira, elas dominarão toda a cadeia do crime no Brasil.
O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, já alertou anteontem (17), que as organizações criminosas mais temidas do Brasil, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) estão prestes a assumir o comando de todo o processo de produção de entorpecentes no Brasil, conforme publicado pelos Correio do Estado.
A guerra de criminosos do outro lado da fronteira com o Paraguai, é o sinal mais claro de que o alerta de Beltrame, delegado da Polícia Federal licenciado, e que conhece como poucos a maneira de atuar dos grandes narcotraficantes, é tão estridente quanto os mais de 200 disparos de armas de fogo de grosso calibre efetuados na última quarta-feira em Pedro Juan Caballero, em mais um episódio, desta vez com características cinematográficas, da guerra entre bandidos da região de fronteira.
Os tiros de metralhadora .50, que poderiam furar tanques e derrubar aviões, e foram utilizados para atravessar a blindagem do carro do barão do tráfico Jorge Rafaat na última quarta-feira e matá-lo. A guerra dos bandidos chocou a população paraguaia e também a brasileira.
Até mesmo quem mora na fronteira, e se diz acostumado com a presença de criminosos, ficou espantado com a demonstração de poder destes criminosos.
Com exceção do secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, autoridades brasileiras não tem demonstrado a preocupação necessária quanto ao significado do episódio da última quarta-feira.
Se, de fato, as organizações PCC e CV assumirem a produção de entorpecentes do outro lado da fronteira, elas dominarão toda a cadeia do crime no Brasil.
O que aconteceu na última semana na fronteira foi uma clara desmonstração de força de delinquentes, perante um Estado que cada vez mais se apequena, como o governo federal, que não se cansa de anunciar cortes e mais cortes em áreas essenciais, como por exemplo, a segurança pública.
Quando os governantes não agem, os bandidos tomam conta. E é isso que ocorrerá se o governo brasileiro não encarar de frente o estado paralelo (que está em guerra no momento) na região de fronteira.
A Operação Ágata do Exército Brasileiro, tem seus méritos pelo poder de dissuasão, mas por ser temporária, infelizmente não passa de uma solução paliativa. É preciso mais. É necessário coragem governamental para investir em segurança na região de fronteira.
Em um período de crise, como o atual, é admissível o corte de gastos pelo governo. Mas em épocas de dificuldades financeiras, como a atual, também é preciso ousadia para investir em áreas estratégicas, como o combate ao narcotráfico.
Todos ganhariam com cidades mais seguras, e um ambiente de punição para criminosos. Os honestos agradeceriam.