Infelizmente, a velha história se repete. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no primeiro trimestre de 2016 foram registrados 13.930 focos de incêndio em todo o Brasil, número 42,2% maior do que o registrado em 2015 e recorde desde 1998, quando o órgão iniciou as medições. A maior parte desses focos ocorreu no Cerrado, onde estão localizadas as nascentes de alguns dos principais rios brasileiros e onde vivem cerca de 20 milhões de pessoas.
Mais preocupante ainda é que esses dados foram coletados na época de chuvas – que vai até março/abril. Preocupa saber também que é um problema antigo e que causa danos enormes para a biodiversidade. As queimadas são um risco para a saúde humana, pois reduzem a qualidade do ar, provocando doenças respiratórias. Além disso, geram problemas com infraestrutura, como queda no fornecimento de energia elétrica e são grandes emissoras de gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global.
Um exemplo ocorreu em 2015, quando o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) teve milhares de hectares de área destruída por conta de um incêndio que durou mais de uma semana.
Próxima a essa unidade de conservação está localizada a Reserva Natural Serra do Tombador, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) que, em 2011, passou por uma situação similar: 60% dos 8.730 mil hectares da região foram queimadas.
A partir de 2011, a administração da reserva estruturou um programa de prevenção e combate ao fogo que trouxe ótimos resultados: a média de perdas caiu para cerca de 10% ao ano.
Desde 2012, a reserva conta com uma brigada comunitária voluntária, que recebeu treinamento com noções de uso correto do fogo, equipamentos adequados e conscientização sobre os impactos das queimadas para a biodiversidade. . Em 2015, devido a um aumento das queimadas, foi contratada também uma brigada temporária.
Além disso, foram implantados aceiros (retirada, em linhas, da vegetação rasteira para evitar a passagem do fogo durante um incêndio) e instaladas caixas d’água em áreas de acesso mais difícil no momento de combate.
Os dados mostram que a prevenção com antecedência tem papel significativo na contenção de incêndios. É preciso investir em iniciativas concretas que protejam as pessoas e as espécies que vivem na região, e considerar as Unidades de Conservação, os proprietários rurais e os diferentes usos do fogo no Cerrado. Além disso, falta fiscalização, normatização para as aplicações mais recorrentes do fogo (como queimadas controladas) e integração de atores envolvidos.
Cada unidade de conservação que é devastada pelo fogo tem uma perda significativa da sua biodiversidade, que levará anos para ser recomposta.