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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Crise de confiança"

Confira o editorial desta terça-feira: <br>"Crise de confiança"

Redação

28/06/2016 - 03h00
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Ninguém acredita na continuidade de obras, diante das deterioradas finanças ou nos projetos mal elaborados.

A gestão de Alcides Bernal enfrenta grave crise de confiança, que leva a sérios prejuízos administrativos e contribuiu para a estagnação de investimentos. Reportagem retrata hoje a dificuldade da prefeitura em iniciar construções, que esbarram ainda na etapa de licitações. Em alguns casos, simplesmente não há empresas interessadas em executar as obras, seja pelos valores abaixo de mercado, pelos projetos malfeitos ou até pelo receio se os repasses serão devidamente efetuados. Afinal, são constantes os relatos sobre as dificuldades financeiras da prefeitura, não tendo condições nem de arcar com os valores referentes a contrapartidas de empréstimos.

A descrença deve-se a compromissos que não foram honrados e até mesmo da instabilidade decorrente da mudança de comando no Executivo. Logo ao assumir a prefeitura, Bernal deixou de pagar prestadores de serviço e fornecedores, contratando outras empresas, que teriam sido favorecidas nesse processo. Essas irregularidades levaram a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pela Câmara de Vereadores, resultando na cassação do mandato de Bernal. Mesmo tendo retornado ao cargo por decisão judicial, o prefeito não conseguiu retomar a credibilidade. Problemas administrativos continuaram, com atrasos de salários de servidores, suspensão da coleta de lixo por falta de pagamento, compra de materiais escolares e uniformes atrasada e, por fim, desfalque milionário nos cofres do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande.

Problemas continuam sendo constantes. Nem mesmo novos investidores a administração consegue atrair. O Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico (Codecon), responsável por viabilizar os incentivos fiscais, está esvaziado. As cartas-consultas apresentadas por empresários estão paradas desde agosto do ano passado para análise do prefeito. Ninguém mais acredita na possibilidade de articular investimentos, diante de tanta inércia. Ninguém acredita na continuidade de obras, diante das deterioradas finanças ou nos projetos mal elaborados. Ninguém mais acredita em prazos, com tantas construções paralisadas ou produtos que não são entregues. Enfim, não se acredita mais nos compromissos assumidos pela atual gestão.

As crises política e econômica estão intrinsecamente relacionadas, como é possível comprovar pelo desastre financeiro vivenciado atualmente no cenário nacional. Desemprego recorde, inflação alta, investidores nacionais e internacionais desconfiados são consequências de ações equivocadas no trabalho de gestão, mas também da série de escândalos de corrupção, descobertos durante as ações da Lava Jato. Tudo isso em meio ao desgastante do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, afastada durante o trâmite do caso no Senado. Em proporções muito maiores, portanto, Campo Grande enfrenta as deletérias consequências da descrença decorrente da administração ineficiente. 
 

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