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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Sequência de polêmicas"

Confira o editorial desta quarta-feira: "Sequência de polêmicas"

Redação

29/06/2016 - 03h00
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Há uma série de assuntos que merecem respostas, mas a prefeitura continua apostando no silêncio, ignorando os vereadores e as expectativas da população. 

Contas que não fecham, mistérios indecifráveis e uma polêmica seguida da outra. Esse tem sido o cenário constante na atual administração municipal. O mais recente impasse envolve os uniformes escolares dos alunos da rede municipal de ensino de Campo Grande, que começaram a ser entregues depois de seis meses de atraso. As bermudas foram fabricadas no Paraguai e importadas pela Odilara Frassão Calçados Eireli, do Rio Grande do Sul, vencedora da licitação. Vereadores cobram explicações e chegaram a sugerir o afastamento do prefeito Alcides Bernal. Eles querem saber se há irregularidade no fato de a escolhida no certame ter subcontratado empresa estrangeira para fornecer todos os produtos à administração municipal. Mesmo que não haja restrição legal nessa aquisição, o caso serve para refletir sobre a necessidade mais critérios nas exigências para participantes das concorrências.

Em busca do menor preço, não se pode “aniquilar” as cobranças pela qualidade do produto e nem as oportunidades de fomento à economia que as concorrências públicas podem gerar. No caso específico, as indústrias paraguaias saíram no lucro e as vagas de emprego também ficaram no país vizinho, justamente no momento em que o Brasil enfrenta período crítico de recessão econômica. Obviamente, não se poderia direcionar o certame para favorecer as empresas regionais, pois a lei estaria sendo infringida. O problema é que a empresa contratada serviu de mera intermediária para importação das bermudas confeccionadas no Paraguai, sob a justificativa de que essa seria a única maneira para alcançar o valor apresentado em sua proposta.  E se a qualidade deixar a desejar, a prefeitura tem obrigação de cobrar a entrega dos uniformes correspondentes às amostras que foram apresentadas.

A “esbórnia” avança para outros setores. Na área da saúde, há projeção de reduzir os investimentos no próximo ano, contrassenso com as necessidades da população e até mesmo com outras ações administrativas. Nesta semana ainda, a prefeitura assinou convênio, que prevê repasses mensais ao Hospital Universitário. Isso em meio a projeção de cortes de gastos. No setor de infraestrutura, há completa estagnação, com vários projetos que não saem do papel. Alguns esbarram ainda na etapa de licitação, por falta de interesse das empresas ou por conta dos projetos malfeitos. Soma-se ainda o rombo de R$ 109 milhões no Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande, ainda não esclarecido, mas que enseja investigações do Ministério Público Estadual e cobranças feitas pelos vereadores.

Há uma série de assuntos que merecem respostas, mas a prefeitura continua apostando no silêncio, ignorando os vereadores e até mesmo as expectativas da população. Há de se aprimorar o trabalho de gestão para que tantas tarefas do cotidiano da cidade não acabem sendo alvos de questionamentos e polêmicas por providências que poderiam ser adotadas previamente.
 

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