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Ana Figueroa e Marketa Maria: "A mulher ideal"

Ana é graduada em Contabilidade e Finanças e Marketa é graduada em Economia Política

Redação

11/07/2016 - 01h00
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As mulheres têm lutado durante muito tempo por igualdade de direitos, como o direito ao voto, à propriedade privada, aos estudos e ao mercado de trabalho como qualquer homem faria. Apesar de terem alcançado muitos direitos e de serem, provavelmente, a geração de mulheres que mais desfruta deles, se comparada com gerações passadas, as mulheres continuam, ainda no século XXI, lutando contra os estereótipos que as colocam na posição tradicional “ideal” de esposas e mães. 

Na política, que está dominada por homens, esses estereótipos são ainda fortes. O índice de gender gap construído pelo Fórum Mundial Econômico demostra isso claramente. Na área de empoderamento político, há ainda uma lacuna considerável entre mulheres e homens, enquanto a lacuna é menor em relação às oportunidades para mulher no mercado de trabalho, ao acesso à educação e à saúde. Basta lembrar a matéria da revista Veja sobre a primeira dama e esposa do Presidente interino Michel Temer, Marcela, referindo-se a ela como uma mulher “bela, recatada e do lar”, sugerindo que é esse o tipo de mulher de que um homem na política precisa. Uma matéria similar no jornal Argentino Noticias, intitulada “o retorno da mulher decorativa”, também exaltou recentemente a primeira dama, Juliana Awada, por ter deixado tudo para ser mãe, esposa e dedicar-se às funções sociais como primeira dama.

Ela articulou que gosta das tarefas da casa e expressou seu desejo de trabalhar na horta nos jardins da casa presidencial. As mulheres devem escolher o caminho certo para elas, mas a sociedade não deve determinar uma imagem e profissão como femininas ou como algo ideal a ser assumido por todas as mulheres. Já em 1792 Mary ​Wollstonecraft argumentava que a mulher teria que ter uma boa educação, ressaltando a importância da mulher para um país; dessa forma ela poderia ser uma “companheira” para o homem e não somente uma esposa.

Mas o que aconteceria se a mulher tivesse um empoderamento igual ao do homem na política? Significaria uma visão diferente nas decisões sobre políticas sociais, econômicas, de segurança nacional, de igualdade de gênero e inclusão?  Por que o empoderarmento da mulher não aconteceu ainda, em 2016? É muito possível que fatores como a cultura, religião e a região geográfica tenham contribuído para o pouco empoderamento da mulher. Mulheres no Médio Oriente e na África do Norte ainda lutam por seus direitos humanos básicos, por exemplo. Segundo a União Inter Parlamentária, na média 27% dos parlamentos nas Américas são compostos por mulheres, enquanto na Europa são 26%; na África, 23%; na Ásia, 19%; e, nos países árabes, 18%. Segundo a Rulers Organization, em 2015 o número de mulheres chefes de governo no mundo foi 22. Todos esses números são muito baixos e representam uma participação baixa da mulher na política.

Mesmo com uma participação relativamente baixa, as mulheres no cenário político têm contribuído para alcançar uma voz coletiva, que grita por igualdade de direitos e que se organiza de forma tal que tem derrubado a muralha da dominação masculina. Isso faz que mais mulheres sonhem com mais educação e com contribuir com a sociedade nas mais variadas áreas, como ciência, arte, política ou qualquer outra de que ela goste mais.

A mulher ideal não demanda novas conquistas. Ela precisa exigir e agir para implementar as políticas articuladas e a ela destinadas, independente de suas escolhas pessoais e de sua atuação no mercado de trabalho. A mulher ideal já não é mais aquela dona de casa. A mulher ideal é aquela que tem o poder de decidir ser dona de casa ou ser astronauta, ser cantora ou ser acadêmica, ser dançarina ou ser presidente da República. A mulher ideal é aquela que tem o poder de decidir o que fazer com sua vida e ser feliz. E a sociedade ideal é aquela que respeita a decisão dela. 

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