Rachid Figueirôa Souza é Acadêmico do curso de Medicina da UFMS/Três Lagoas
Alex Martins Machado é Professor Adjunto do curso de Medicina da UFMS/Três Lagoas
Podemos dizer que o termo “dengue” é, infelizmente, um velho conhecido dos brasileiros, porém, recentemente, doenças como febre Chikungunya e Zika Vírus também passaram a fazer parte do nosso “vocabulário”.
O Zika chegou em um momento perigoso para o Brasil. A economia do país estava encolhendo, enquanto o desemprego e a inflação estavam subindo. Essas pressões têm ameaçado ainda mais um sistema de saúde já frágil; entretanto, com uma liderança, o Brasil pode transformar essa epidemia em uma força em sua vantagem.
O fracasso persistente nos esforços para controlar a dengue no Brasil leva a crer que a probabilidade de controlar rapidamente o Zika hoje é baixa. A pergunta que fica é: Quais devem ser as ações dos governos em face de uma epidemia?
Os líderes políticos não poderiam ter sinal mais claro de que é responsabilidade deles proteger a saúde de sua nação; são os governos que derrotam as epidemias, não os médicos! Esses líderes passariam, assim, a entender que a política, a economia e a estabilidade social dependem da saúde. E esse entendimento tem consequências importantes, já que leis são feitas para proteger a saúde, promover investimentos na ciência médica – e novas instituições são criadas para serem os melhores conselheiros para os formadores de opinião e decisão. O progresso político está, portanto, diretamente relacionado ao progresso científico. Um sistema de saúde universal, gratuito e de boa qualidade torna-se uma prioridade pública. Desta forma, os líderes começa(ria)m a entender que sustentar a confiança pública é essencial para a ordem.
As epidemias também passariam a moldar o conhecimento. Dados confiáveis assumem uma grande importância política, já que políticos demandam acesso instantâneo sobre esses dados para a tomada de decisões. A pesquisa transforma-se em uma ferramenta importante para o julgamento político, novas áreas de conhecimento são criadas – e a comunicação rápida e transparente, sobre as novas descobertas, transforma-se em uma necessidade.
Em suma, as epidemias podem tanto acelerar quanto destruir o desenvolvimento humano. O Zika será apenas um momento na longa luta que o Brasil trava com suas epidemias, mas esse momento é uma oportunidade que não deve ser perdida.