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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Critérios de gestão"

Confira o editorial desta terça-feira: "Critérios de gestão"

Redação

19/07/2016 - 03h00
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Háculpa de gestões anteriores, mas os atuais responsáveis não podem permanecer no marasmo para, futuramente, serem apontados como culpados, num ciclo de omissão.

Indicações políticas, há muito tempo, figuram entre os principais critérios para definir cargos de primeiro escalão. Procedimento de escolha que relega a segundo plano as exigências técnicas da função. Tivemos o exemplo claro desse “loteamento” de cargos durante o processo de impeachment da presidente

Dilma Rousseff. Ministérios tornaram-se “moeda de troca” para apoio político com objetivo de atingir interesses pessoais: Dilma querendo escapar do afastamento e Michel Temer querendo assumir interinamente o Governo. Acompanhamos os prejuízos, com nomeações equivocadas, incluindo ministros envolvidos em escândalos da Lava Jato que, pouco tempo depois, deixaram os cargos.

Como em qualquer função, o currículo do contratado para cargo de chefia deveria contar com boa experiência na área de atuação.

    No cotidiano, a população enfrenta as dificuldades das escolhas equivocadas, mesmo que em proporções menores e menos explícitas que o mencionado acima. Em Campo Grande, obras não avançam porque travam ainda na etapa de licitações. Os editais precisam ser republicados, alterados e, em alguns casos, projetos são até refeitos. Sinal da necessidade de pessoas mais capacitadas tecnicamente.

Infelizmente, em alguns casos, a crise econômica e a burocracia tornaram-se as desculpas de praxe nas situações em que a lentidão para soluções já se tornou permanente, decorrente de décadas de abandono. Há, sem dúvida, culpa de gestões anteriores, mas os atuais responsáveis não podem permanecer no marasmo para, futuramente, serem apontados como culpados, num ciclo de omissão que parece interminável. 

    Essa negligência permanente ocorre no caso do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran/MS), onde veículos apreendidos viram sucatas depois de anos de abandono. Servem para acúmulo de água nos pátios, favorecendo proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Há ainda o problema da falta de segurança, principalmente nos departamentos do interior.

Peças e vários outros itens dos veículos são furtados, “alimentando” rede ilegal de receptação. Comprovadamente, perde-se dinheiro, pois os carros, caminhonetes e motocicletas poderiam ser leiloados a preços mais altos, ainda em condições de circular, se o Detran tivesse mais agilidade.

O diretor-presidente Gerson Claro limita-se a culpar a burocracia. Fica evidente, portanto, a necessidade de ampliar o entendimento sobre o setor, pois existe grave problema de gestão atrelado ao fato dos veículos apodrecendo. 

    Em reportagem publicada hoje, o juiz federal Odilon de Oliveira deixa claro que é possível agilizar os trâmites para que os veículos possam ser leiloados em menos tempo. Alerta, inclusive, para os riscos caso as medidas necessárias para notificação dos proprietários não esteja feito.

A negligência, danos e prejuízos resultam em atos ilícitos, que não podem continuar sendo perpetuados. É possível, portanto, buscar providências que só trarão benefícios a todos.

    Inaceitável que omissões arrastem-se por tantos anos, decorrente de gestores que parecem desconhecer soluções. Não se trata de problema específico dessa área, mas de várias outras secretarias onde os serviços ainda esbarram na lentidão.

É preciso mais responsabilidade do poder público, cobrando resultados que fazem parte de um conjunto de gestão, apanágio intrínseco aos critérios e formações técnicas. 
 

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