Conceitualmente uma crise é uma alteração brusca importante que surge e interfere no andamento normal de um evento qualquer, gerando incertezas e consequências indefinidas e exigindo solução rápida para a retomada do rumo evitando danos estruturais estabelecidos no conjunto da economia, da política, e pondo em risco a segurança da sociedade.
A crise social transcende a pessoa, gera instabilidade em todos os ambientes, e é fruto da associação das demais crises, acrescida da ignorância, do preconceito, individualismo, da falta de ética e da moral, da desesperança, da violência, gerando a degradação das instituições democráticas e, por conseguinte a anarquia.
Na política ela surge por conflitos gerados pela disputa do poder e a falta de credibilidade dos representantes da sociedade, ameaçando a continuidade do governo. Na economia ela é representada por índices negativos de prosperidade como a retração das atividades e desníveis sócio-econômicos.
São acontecimentos cíclicos (periódicos), resultado do próprio sistema que se submete a muitas variáveis como os processos de superprodução, concorrência desleal, exploração desenfreada de matérias primas, aviltamento dos salários, desqualificação da força de trabalho, falta de rentabilidade, fuga de investimentos, intervenção do estado, e muitos outros fatores, como a globalização, o desequilíbrio entre os blocos econômicos mundiais e a nova revolução tecnológica.
Outros fatores alimentam as crises econômicas como os padrões insustentáveis de produção e o desenfreado consumo, acrescidos dos altos níveis de desperdício e desigualdade, o desmonte da estrutura do estado por meio de privatizações e terceirizações dos serviços para o controle do mercado especulador, taxação sobre o consumo ao invés da renda, patrimônio e riquezas, isenções de impostos a instituições de livre organização, e por aí vai...
A crise nunca foi exclusividade brasileira muito menos de um partido “endemonizado”. É uma produção encomendada pelo capital internacional. No Brasil foi “nacionalizada” pelos partidos políticos de oposição, aliados à ignorância reacionária na briga pelo poder.
O mundo saindo da crise financeira que assolou os países desenvolvidos (2008), ainda se apresenta com baixas taxas de crescimento econômico, elevada instabilidade financeira e deflação de preços dos bens industrializados e mercadorias, havendo excesso de oferta de produtos e capacidade produtiva ociosa.
As notícias honestas nos dizem e demonstram que o principal motivo da crise mundial, com reflexo nos países em desenvolvimento caminhando para período de recessão ou de baixo dinamismo econômico, está na contração econômica da demanda produzida pela desaceleração chinesa, com a queda nos preços das principais “comódites” (recurso natural que pode ser processado e vendido como produtos agrícolas, metais, energias e minerais), volatilidade dos mercados financeiros, a desvalorização das moedas, fuga de capitais, a contração do crédito.
Numa visão macro, o advento de novas tecnologias (robótica, nanotecnologia, biotecnologia, novos materiais, novas fontes de energia, capacidade de armazenamento de dados e informações, veículos autônomos, inteligência artificial, rapidez nos deslocamentos e comunicação que a princípio deveria estar a serviço do bem estar do homem, na verdade tira a oportunidade dos empregos convencionais e menos qualificados, aumentando a crise principalmente nos países de economia primária.
Economias desenvolvidas onde há mão de obra qualificada, capital necessário para investimentos, e o acesso à tecnologia, o homem será substituído por robôs assim como a “virtualização” do comércio físico já em curso encurtando as cadeias produtivas e colocando os empregos para escanteio.
Nas em desenvolvimento, como a nossa, são necessárias medidas capazes de assimilarmos as mudanças e não ficarmos acreditando num “conto da carochinha” difundido pela mídia conivente como se ela fosse resultado de uma gestão administrativa inadequada. O fato é: a crise é mundial, e difundida em todas as direções.
A exigência para o enfrentamento da crise é a honestidade de propósito, isto é sermos éticos e honestos conosco antes de o sermos com os demais, não mentindo, não nos enganando, e não reproduzindo factóides e afirmações falsas ou de interesse da famigerada economia de livre mercado e do capital especulativo.