Os condutores, porém, não podem esperar a conclusão de todas essas apurações para, só então, usufruírem dos investimentos feitos com dinheiro público.
Só aumenta a lista de rodovias novas que estão se deteriorando e precisariam ser refeitas. Dinheiro público mal aplicado e prejuízo aos condutores, que continuam sofrendo com a quantidade de buracos nas estradas de Mato Grosso do Sul. Com urgência, o Governo do Estado precisa acionar as empreiteiras, aproveitando que as obras ainda estão na garantia, para cobrar que o serviço tenha a qualidade correspondente aos milhões que foram investidos. Ou, pelo menos, aproveitar o período de estiagem para corrigir os estragos e evitar tantos transtornos, que tendem a agravar-se no período de chuva.
Agora, tornaram-se alvos de investigação as obras de recuperação na rodovias MS-295 e MS-156, que ligam Eldorado a Amambai, na região Sul do Estado. A indignação ao ver o asfalto novo tomado de buracos fez com que um morador da região acionasse o Ministério Público Estadual. Além investigar e responsabilizar aqueles que agiram com negligência, é importante cobrar que o contrato seja devidamente cumprido e a rodovia seja refeita. Nesse caso, há de se considerar que efeitos da chuva contribuíram para agravar os danos em dezembro do ano passado e maio desse ano. Rio transbordou causando várias erosões. Além disso, a estrada recebeu todo fluxo de veículos para o Sul do País durante período em que trecho da BR-163 ficou interditado depois que cratera “engoliu” trecho da pista. Esse seria o único acesso.
Em maio, o secretário de Obras, Marcelo Miglioli, anunciou que quatro rodovias do Estado precisariam ser refeitas e alguns acordos para início dos trabalhos já estavam começando. Até agora, porém, pouco foi feito. Apenas a MS-436, que liga Figueirão, Camapuã e Alcinópolis recebe alguns reparos, em ritmo lento e em parte onde o asfalto não está tão danificado. Há novos buracos até mesmo nos trechos já restaurados recentemente, demonstrativo que a ineficiência continua ou que as ações não são suficientes para corrigir os trabalhos de péssima qualidade, da pavimentação entregue ainda em 2014. As demais rodovias na lista citada pelo secretário - MS-040, MS-430 e MS-180 - ainda não passam pelas intervenções de correção. Agora, está evidente a necessidade de ampliar a quantidade de vias onde essa mesma cobrança precisa ser feita.
Mato Grosso do Sul é um estado com forte potencial agrícola e a logística para escoar seus produtos depende das rodovias. Em tempos de crise econômica, é o setor da agropecuária que vem “segurando” a balança para evitar o desastre financeiro e minimizar os impactos da queda na arrecadação, que atinge todo País. Essa contribuição reflete até mesmo no saldo positivo na geração de empregos, pois o setor gerou 600 postos apenas no último mês, conforme dados do Ministério do Trabalho. Portanto, a importância de recuperar nossas estradas está intrinsecamente ligada a ganhos na área econômica. Sem contar os benefícios para os condutores de todo Estado, inclusive com mais segurança para transitar.
O Governo do Estado criou força-tarefa e está fazendo auditorias nas obras. Há ainda as investigações da Lama Asfáltica, pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União, que apuram desvios de verbas e superfaturamento em obras de rodovias. Os condutores, porém, não podem esperar a conclusão de todas essas apurações para, só então, usufruírem dos investimentos feitos com dinheiro público. Mais do que apontar culpados, o Governo precisa agir com celeridade para providenciar manutenção e evitar que os prejuízos sejam ainda maiores.