O eleitor precisará ficar atento para não cair em armadilhas, com propostas utópicas, que não correspondam à realidade. Já estão comprovados o perigo de acreditar em discursos...
Orçamentos já estourados, receitas impactadas pela crise financeira e retrocesso de investimentos são alguns dos desafios de gestão nos municípios. Os candidatos precisarão superá-los e, mesmo assim, atingir as metas de campanha. O eleitor precisará ficar atento para não cair em armadilhas, com propostas utópicas, que não correspondam à realidade. Já estão comprovados o perigo e as graves consequências de acreditar em discursos bem elaborados.
A maioria das prefeituras já está no limite tolerável de comprometimento da arrecadação com a folha salarial, fixado em 54% pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Algumas ultrapassaram a tolerância, chegando a 60%. Portanto, certamente, antes de prometer obras, melhorias na saúde ou na educação, os futuros gestores terão de equilibrar as finanças. Sem as contas ajustadas, não conseguem executar nada do que for proposto.
Em Campo Grande, o orçamento projetado é de R$ 3,563 bilhões, crescimento de 3,16% sobre o montante relativo a 2016, de R$ 3,454 bilhões. Evolução considerada pífia se comparada à dimensão dos problemas, que só aumentaram nos últimos anos. A inflação alta corrói salários dos trabalhores, que estão pagando mais caro por itens básicos, inclusive da alimentação. Além disso, o desemprego bate recorde e, na contramão da maior parte do Estado, a Capital continua a acumular saldo negativo na criação de vagas. Foram 1.992 postos de trabalho fechados nos seis primeiros meses deste ano.
O comércio foi o setor mais prejudicado: com redução na renda mensal, as famílias foram forçadas a reduzir o consumo. Reflexo da recessão econômica, mas também da inércia do poder público em tentar propor medidas para minimizar essa catástrofe.
Indústria e construção civil enfrentam completa estagnação na cidade, algo que, consequentemente, afeta outros setores do mercado de trabalho. Obras estão paralisadas desde 2012 em Campo Grande, incluindo algumas com recursos federais já liberados ou empréstimos assegurados por meio de projetos aprovados na gestão anterior. Infelizmente, a meta de retirá-los do papel esbarra ainda na etapa de licitações, setor técnico que precisará ser aperfeiçoado com urgência.
Retração para obras de trânsito, estradas vicinais, pavimentação e controle de enchentes chegará a 9,25% no próximo ano. Os desembolsos com saúde também devem diminuir, limitando os gastos a 20% da receita. Hoje esse percentual é de 28%. Áreas com demandas urgentes, há muito não atendidas, e que precisam ser melhoradas mesmo com esse contingenciamento.
Soma-se ainda o peso de todo esse descontrole econômico que recaiu sobre os servidores municipais da Capital. Ficaram sem reajuste neste ano e a questão é tratada na Justiça. A Previdência Municipal foi dilacerada, com rombo de R$ 109 milhões. Ainda, há decisão para romper com as terceirizadas Seleta e Omep para integrar profissionais ao quadro de pessoal, pesando ainda mais nos limites da LRF. Todos esses desafios são retratados em série divulgada desde ontem pelo Correio do Estado.
Algumas dificuldades foram impostas pela recessão econômica, outras exigem aperfeiçoamento de gestão. O certo é que a concretização de promessas passarão primeiro pela necessidade de readequar as contas, seja na Capital ou em municípios do interior. Sem isso, dificilmente serão cumpridas.