Em 1979, há 36 anos ocorria um suicídio em massa numa comunidade religiosa (Templo dos Povos-1954) em Jonestown - Guiana, envolvendo 900 mortes por envenenamento supostamente acordado por unanimidade pelos membros induzidos por um mentor americano chamado “Jim” Jones (James Warren), que adquirira apoio político e naturalmente da mídia americana pela notoriedade alcançada em seu movimento e pelas concentrações públicas em grandes cidades, o deslocamento de grandes caravanas, a distribuição de panfletos e outras propagandas religiosas nos States.
O fato ocorreu após a visita da comitiva de um congressista americano ao acampamento para verificar se as condições humanas eram respeitadas, embora muitos dos membros já haviam planejado fugir junto com o senador. Foram surpreendidos e vitimados por ataque armado pela organização, sendo o parlamentar morto com mais cinco pessoas.
Com a divulgação da morte do político, o mentor Jim ofereceu refresco de uva e cianeto aos seus seguidores expressando seu pensamento: “Se não podemos viver em paz, vamos morrer em Paz”. Dizia ele que: “... não se tratava de um suicídio coletivo, mas de um suicídio revolucionário’’.
A simulação de suicídio vinha sendo treinada, portanto tal evento foi considerado normal (?) pelos adeptos a seita, que convencidos da escolha certa se incentivavam mutuamente ameaçando os céticos prometendo um mundo futuro melhor. Nas veiculações midiáticas liberais, apenas notícias positivas eram difundidas evitando aquelas sobre ocorrências de drogas, abusos, violência e seqüestros, já que comungavam com os ideais e projetos do futuro de Jones, o qual gozava de prestígio junto a lideranças políticas.
Em 1990 nos States surgiram proposições inusitadas e ações de um médico (Dr. Morte – Jack Kevorkian - americano) pela oportunidade de se estabelecer legalmente o auto-extermínio, um suicídio externado por vontade própria, com auxilio e acompanhamento profissional que garantiria um método letal, indolor e eficaz e cuja ação final seria própria do suicida.
O chamado “suicídio assistido” ou “morte anunciada” representaria a possibilidade de um doente terminal (ou não), após sua reflexão (?) sobre os envolvimentos de toda natureza, e os diagnósticos exarados, a dar cabo da situação vivenciada causadora dos malefícios sem a expectativa de melhoras. Atualmente tal prática se aplica na Suíça e na Holanda.
No Brasil apesar de não termos um “auto-extermínio” legalmente estabelecido, ou uma seita que nos incentivasse ao “suicídio coletivo”, estamos a meio caminho pela veneração dos “adoradores do sim”. Aqueles a favor do impedimento e em nome dos seus entes queridos bradaram (Câmara) a peito aberto suas razões de tamanha incongruência e ignorância e outros que ainda aguardam (Senado) benesses do governo sucessor ao reafirmarem suas opiniões pífias e a desfaçatez, cientes que não existe crime de responsabilidade, mas que com um torpor de consciência se baseiam em convicções sobre o “conjunto da obra” (golpe) levam assim uma horda de “paneleiros” e inocentes úteis, a acreditarem na salvação do porvir a serviço do mercado e do capital especulativo.
Igualmente a mídia cooptada e com seus interesses velados apóia grupos sociais representados por parlamentares inexpressivos e envolvidos em sua maioria em suspeições de ilegalidades tem seu papel na incessante divulgação de notícias tendenciosas e parciais sobre a economia apresentando uma situação nebulosa e a ser substituída por um futuro promissor.
Não haverá literalmente o auto-extermínio ou um suicídio coletivo. Constata-se, no entanto, que nosso Dr. Morte se propôs a trair sua vítima não por condescendência ou para oferecer-lhe um mundo sem sofrimentos e sim para implantar regras neoliberalizantes. Por outro lado o a pratica do “suicídio coletivo” provocado pelos “adoradores do sim” irá além da morte das expectativas democráticas, da efetividade dos votos, das conquistas sociais dos últimos anos, mas também das próprias esperanças de reeleição, ou mesmo da ocupação dos cargos prometidos