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Correio do Estado

Confira o editorial deste domingo: Obrigação de todos

Confira o editorial deste domingo:<br> Obrigação de todos

Redação

21/08/2016 - 03h00
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É comum encontrar lixo acumulado em áreas públicas ou terrenos baldios da cidade, demonstração explícita do descaso com que as pessoas tratam o assunto

Antes da Olimpíada, o assunto em voga era a possível debandada de turistas e o fracasso dos jogos em decorrência de alguns problemas, entre eles, os casos de zika vírus e a perigosa relação com os registros de nascimentos de crianças como microcefalia. Na reta final dos Jogos Olímpicos, o que se pode depreender é que a ameaça não se concretizou. Porém, o combate à proliferação do Aedes aegypti é tema que precisa ser recorrente no Brasil, país em que as condições climáticas são extremamente favoráveis à reprodução do mosquito. Em Campo Grande, cidade que registrou índices alarmantes de notificações de dengue, não se vê o afinco para se evitar o pior, seja da população, seja dos órgãos públicos competentes.

Mesmo no inverno, os dados nunca deixaram de ser preocupantes, uma vez que pesquisas mostram a resistência do mosquito e do ciclo de reprodução: o ovo pode hibernar por um ano, podendo chegar intacto aos períodos propícios à infestação. E estamos chegando a um deles. A reportagem da edição deste domingo do Correio do Estado mostra o receio de representantes das secretarias de Saúde de Mato Grosso do Sul e da Capital, que alertam para possível risco de aumento dos casos de dengue e, claro, chikungunya e zika vírus na primavera, estação com incidência de chuva e temperaturas mais altas, características que contribuem para a proliferação do Aedes aegypti. Em condições tão favoráveis, o desenvolvimento do embrião é concluído em 48 horas. Por isso, Mato Grosso do Sul nunca saiu da linha de risco e os números mostram isso. Boletim estadual aponta que todos os 79 municípios estão listados como de risco para registros de dengue e 71 ainda apresentam alta incidência da doença.

No caso de Campo Grande, informação alarmante e, infelizmente, recorrente: 73% dos focos do mosquito estão dentro das casas. Não se pode esquecer da grande responsabilidade de cada um neste trabalho, embora, claro, seja válido a população cobrar ações de controle e combate das endemias. De que adianta exigir do poder público ruas e terrenos limpos, se a sujeira está dentro dos quintais?. É comum encontrar lixo acumulado em áreas públicas ou terrenos baldios da cidade, demonstração explícita do descaso com que as pessoas tratam o assunto. O descarte de lixo é feito de forma inconsequente e as penalidades não são levadas a sério.

Em julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a venda da vacina contra a dengue e, desde o início do mês, as doses estão disponíveis em clínicas particulares da Capital. Embora os preços sejam mais baixos do que os praticados em outras cidades, ainda está longe da realidade do bolso da população mais carente e não há perspectiva de a vacinação ser oferecida na rede pública tão cedo. Mesmo que futuramente seja, não se pode relaxar no combate à proliferação do mosquito, pois isso se trata de cristalizar a cultura dos hábitos saudáveis e de saneamento. Devem-se cobrar resultados das ações dos órgãos sanitários, mas não se pode perder de vista a responsabilidade individual.

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